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Presidente da Anvisa confirma que Saúde sabia que máscaras distribuídas não eram apropriadas

Por causa da pandemia, Torres afirma que a agência recomendou o uso da máscara para o uso não profissional, em vez de promover o descarte

Foto: Reprodução

Julia Chaib e Renato Machado
Brasília, DF

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, confirmou que a agência havia alertado o Ministério da Saúde para que não distribuísse para profissionais de saúde alguns tipos de máscara.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada em março mostrou que o ministério distribuiu para profissionais de saúde máscaras do tipo KN95, que não são apropriadas para uso hospitalar.

Em depoimento à CPI nesta terça (11), Barra Torres foi questionado pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Em nenhum momento, foi autorizada pela Anvisa a utilização de máscara de uso não médico pelos profissionais de saúde. A Anvisa alertou o Ministério da Saúde quanto à existência de máscaras objeto de importação pela pasta cujo uso, como respirador N95 -respirador N95 é o nome da máscara-, estava interditado”, afirmou.

Por causa da pandemia, Torres afirma que a agência recomendou o uso da máscara para o uso não profissional, em vez de promover o descarte. Ele mencionou a troca de ofícios entre agência e ministério, na qual foi sempre informada a não adequação para uso profissional da máscara.

“Para a KN95 e para as máscaras descartáveis faciais apontamos aqui o que deveria ser apresentado [para a importação], que seria o comprovante de qualificação da OMS ou registro válido no país de origem. Não houve apresentação por parte do ministério, resposta à solicitação. E esse processo foi encerrado, após duas reiterações de 15 dias sem resposta.”

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Um senador ouvido pela reportagem apontou que essa questão pode se tornar alvo de investigação. Isso porque seria uma prova de que o ministério desrespeitou normas e decisões da agência durante a pandemia.

As informações são da FolhaPress






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