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Política & Poder

Sindicato e empresas chegam a acordo para suspender greve de ônibus em SP nesta sexta

A decisão definitiva sobre a greve deve ser tomada em assembleia dos trabalhadores na manhã desta quinta (6)

Redação Jornal de Brasília

05/06/2024 19h43

Fernando Frazão/Agência Brasil

TULIO KRUSE E CARLOS PETROCILO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Uma audiência de conciliação para debater o anúncio de greve dos trabalhadores das empresas de ônibus da cidade de São Paulo, na tarde desta quarta-feira (5), terminou com a perspectiva de que a paralisação prevista para sexta (7) seja suspensa.

A direção do SindMotoristas, que representa os trabalhadores do transporte rodoviário urbano paulistano, afirmou que chegou a um entendimento com as empresas de ônibus para retomar as negociações sobre reajustes salariais e benefícios à categoria. Essas negociações devem ocorrer por meio de uma mesa técnica no TCM (Tribunal de Contas do Município) .

A decisão definitiva sobre a greve deve ser tomada em assembleia dos trabalhadores na manhã desta quinta (6).

“Caso a suspensão da greve seja aprovada em assembleia, a entidade no período das negociações permanecerá em estado de greve para realização de ações de mobilização junto a categoria”, disse o sindicato dos trabalhadores, em nota.

A mudança de posicionamento do sindicato, dois dias após a categoria indicar que cruzaria os braços, ocorre após a direção do SindMotoristas se reunir com o presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (União Brasil), durante a manhã.

Leite afirmou à Folha que foi dele a sugestão para abertura da mesa de negociação no TCM.

“Uma greve neste momento é complicada e não traria resultado para ninguém. Avisei o prefeito ontem à noite sobre isso, ele disse que eu poderia chamar [os sindicatos] e mediar”, disse Leite. “Não é possível dentro do contrato, em ano de eleição, a prefeitura estabelecer reajuste às empresas. A prefeitura tem a cada quatro anos para fazer o reequilíbrio quadrienal.”

A indicação de que categoria poderia cruzar os braços ocorreu na última segunda-feira (3), diante de um impasse nas negociações de reajustes dos salários e benefícios trabalhistas. Representantes dos trabalhadores e das dez empresas que operam o serviço na capital discutem essas questões desde o ano passado.

Os empregados pedem reajuste de 3,69% pelo IPCA (inflação oficial), mais 5% de aumento real e reposição das perdas salariais na pandemia na ordem de 2,46%, índice calculado com base em dados do Dieese.

É uma pedida superior aos 2,77% e recomposição da diferença pelo Salariômetro, que é um indicador medido pela Fipe, oferecidos pelo setor patronal.

Existem outros pontos na pauta dos trabalhadores, com destaque para reclamações quanto ao aumento da jornada, que passou de seis horas meia para oito horas efetivamente trabalhadas por dia, segundo o SindMotoristas.

A audiência de conciliação ocorreu por causa de um pedido da Prefeitura de São Paulo à Justiça do Trabalho para que fosse garantida 100% da frota de ônibus nos horários de pico durante a greve, e ao menos 80% no restante do dia.

A ação também pedia uma multa diária de R$ 1 milhão contra o sindicato caso essas medidas não sejam respeitadas, e que a Justiça proibisse bloqueios de ônibus na saída das garagens, vias públicas e terminais de passageiros.

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