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Política & Poder

Senado aprova projeto que determina pagamento automático de pensão alimentícia

O projeto de lei do Pix pensão estabelece que o beneficiário da pensão alimentícia poderá pedir à Justiça, em qualquer fase do cumprimento de sentença, que o pagamento seja feito todo mês dessa forma.

Redação Jornal de Brasília

07/07/2026 23h58

tabata amaral

Foto: Reprodução/Istoé

ISADORA ALBERNAZ
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Senado aprovou nesta terça-feira (7) um projeto de lei que estabelece o pagamento automático da pensão alimentícia direto para a conta do beneficiário ou de seu representante legal. O texto, chamado de Pix pensão, agora segue para a sanção do presidente Lula (PT).


A votação no plenário foi feita de forma simbólica, quando não há contagem nominal dos votos dos parlamentares. A proposta é de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e foi relatada na Casa pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), que apresentou parecer favorável.


Tabata usa o termo Pix pensão no projeto de lei por se tratar de uma transferência automática, que pode reduzir a necessidade de acionar a Justiça sempre que há atraso do devedor, mas o texto aprovado não determina que o débito deverá ser feito por meio desse sistema de pagamentos.


O projeto de lei do Pix pensão estabelece que o beneficiário da pensão alimentícia poderá pedir à Justiça, em qualquer fase do cumprimento de sentença, que o pagamento seja feito todo mês dessa forma.


Hoje, o valor pode ser debitado automaticamente do salário do devedor, mas, se ele não tiver vínculo empregatício formal, o beneficiário precisa ir à Justiça sempre que houver atraso.


O texto aprovado pelos senadores diz que caberá ao juiz, na hora da decisão, mandar a instituição financeira, como o banco, realizar a transferência automática nas datas definidas por ele.


O magistrado também vai ter que definir como será feito caso o devedor da pensão alimentícia não tenha saldo suficiente em sua conta, o que deverá ser informado pelos bancos ao BC (Banco Central).


Além disso, as instituições financeiras deverão prestar contas do cumprimento das transferências, detalhando os valores, a data da operação e eventual incidência de juros.


Se a proposta for sancionada por Lula, o Banco Central ainda poderá bloquear automaticamente ativos do devedor no valor atualizado da prestação alimentícia em atraso.


“A indisponibilidade será convertida em penhora, se rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, e o juiz da execução deverá determinar a instituição financeira que, no prazo de 24 horas, transfira o montante indisponível para a conta”, diz trecho do projeto de lei.


O texto aprovado no Senado também determina que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) deve ficar responsável pelos dados do Pix pensão, divulgando estatísticas como o número de ações envolvendo esse tipo de transferência, os valores médios e o perfil das duas partes.


O texto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado em 10 de junho, após ter o aval dos deputados ainda no ano passado.


Na justificativa do projeto, Tabata Amaral afirmou que a medida é um meio mais barato e eficaz de cobrar o executado e não dificulta a geração de renda e, portanto, capacidade de pagamento, como a prisão em caso de descumprimento do pagamento faz.


“O Pix Pensão reduz o trabalho do Estado e beneficia os alimentandos, dificulta a vida do inadimplente contumaz e, como benefício adicional, sinaliza à sociedade que não é mais possível ter um filho sem ter responsabilidade sobre ele. Trata-se de relevante inovação para beneficiar alimentandos”, afirmou.

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