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Rosso engrossa críticas contra o governo após aumento do preço da gasolina

Por Arquivo Geral 28/05/2018 8h07
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Francisco Dutra
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O fantasma de novo um aumento nacional de impostos e a alta do preço dos combustíveis no Distrito Federal colocaram o presidente regional do PSD, deputado federal Rogério Rosso, em rota de colisão com o governo de Michel Temer (MDB). O parlamentar decidiu cobrar explicações do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e de um dos principais aliados do presidente, o ministro de Minas Energias, Moreira Franco (MDB/RJ).

Como agravante, o parlamentar pretende mudar as regras de venda álcool para quebrar um suposto monopólio da Petrobras e colocar lenha da fogueira da reforma tributária. O responsável pela pasta da Fazenda deverá apresentar os argumentos do governo no plenário da Câmara dos Deputados sobre a possibilidade de um aumento da carga tributária, decorrente do pacote de medidas para conter a greve nacional dos caminhoneiros, especialmente para compensar a contenção do preço do diesel.

“Ele está errado. A solução é simplificar os tributos”, bateu o deputado. Já o condutor das Minas e Energia deverá justificar a recente alta da gasolina no DF. Neste ponto, o parlamentar irá encaminhar um requerimento esclarecimentos para o ministro de Minas e Energia.

Rosso taxou o aumento como uma falta de bom senso da Petrobrás. “Aumentaram em 4% o preço da gasolina para os revendedores. Isso é um aumento de R$ 0,20. Recebi a ligação de um diretor da Petrobrás dizendo que a empresa precisou fazer isso por conta da diminuição do álcool na composição da gasolina. Mas o DF não tinha nem combustível nos postos neste final de semana”, esbravejou.

“Como que a Petrobras faz isso na calada da noite do final de semana, em um momento de crise onde a população clama por uma redução do preço dos combustíveis? Como ela faz esse reajuste pesado para o revendedor de R$ 4,16 pelo litro para R$ 4,35, que vai acabar atingindo a população?”, continuou.

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E tem mais…

Na avaliação de Rosso, independentemente das eventuais explicações, o aumento mostrou uma miopia da empresa na politica de preços e na leitura do cenário brasileiro. O deputado  federal defende a reformulação da política de preços da Petrobras. “Ela está serviço da população. Não dela mesma. E ela não está conseguindo entender”, alfinetou.

Neste sentido, o deputado decidiu apresentar uma emenda nas medidas provisórias propostas pelo Planalto para conter a crise da greve dos caminheiros. Em resumo, Rosso propõe que as revendedoras de combustíveis possam comprar etanol diretamente das usinas de produção do álcool, para quebrar o suposto controle da Petrobras sobre o preços do álcool.

Atualmente, segundo o deputado, a Petrobras controla quais distribuidoras podem vender o etanol. “Isso vai dar uma redução imediata no preço do álcool. A Petrobras não permite e não tem interesse que o preço do álcool caia. Não é interesse, porque ela não produz álcool. Se deixar a compra direta teremos concorrência e os preços vão baixar. Quero cortar ou quebrar esse monopólio”, cravou

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Por fim, o parlamentar sinalizou que fará parte da tropa de choque do presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia (DEM/RJ) para colocar nos trilhos a reforma tributária. Pelas contas do deputado, a simplificação não representará aumento da fatura no bolso da população.

Com a reformulação, seria possível inclusive poupar R$ 120 bilhões anuais perdidos em desvios e má gestão. Para Rosso, a reforma da Previdência nasceu morta. Já a reforma tributária é a chance do Brasil realmente voltar a crescer.

No começo da gestão Temer, Rosso foi um primeiros aliados do presidente. Mas desde a fracassada tentativa de reforma da Previdência, o parlamentar vem se afastando do Planalto. Hoje, Rosso julga que o governo errou na gestão crise com os caminheiros. Para o deputado, Temer não adotou as medidas necessárias para evitar a greve e erra no remédio.

Do ponto de vista de Rosso, o Planalto não conseguirá emplacar no Congresso qualquer projeto de aumento dos impostos. “O governo não está sabendo fazer a leitura da crise. O problema não é apenas dos caminheiros. É de outras categorias e a população. Ninguém mais aguenta pagar tantos impostos. E a meu ver a crise ainda vai continuar”, afirmou.

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