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Política & Poder

Proposta de Flávio de adiar tarifaço para depois das eleições é inaceitável, diz Caiado

“Você vê falhas de um candidato –e com todo o respeito a ele, Flávio– em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação a partir da eleição”, disse Caiado em evento da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília

Redação Jornal de Brasília

08/07/2026 16h02

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de adiar as tarifas até depois das eleições presidenciais é inaceitável, afirmou nesta quarta-feira (8) o ex-governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD).


“Você vê falhas de um candidato –e com todo o respeito a ele, Flávio– em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação a partir da eleição”, disse Caiado em evento da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília. “É inaceitável isso. Você tem que estar dentro de um jogo para saber qual é o peso e o significado do país.”


“Isso tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro, já que este assunto não deve ser tratado apenas no interstício da campanha eleitoral”, afirmou Caiado mais tarde, em conversa com jornalistas. “Nós estaríamos convalidando o populismo irresponsável do Lula […] com a visão única de 4 de outubro.”


Flávio argumentou, em documento enviado ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que o tarifaço do ano passado foi utilizado politicamente pelo governo Lula (PT) e pediu que a aplicação de novas taxas seja adiada, pelo menos, até depois das eleições de modo a evitar um novo bônus político ao presidente.


“As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, disse Flávio, pré-candidato do PL à Presidência.


Após enviar esse dossiê, Flávio participou, na terça-feira (7), de audiência pública promovida pelo USTR –que é o órgão responsável pelas investigações comerciais que propuseram novas tarifas de 37,5% às exportações brasileiras e repetiu o argumento, dizendo que agora seria o pior momento para implantar novas taxas.


Em sua fala no evento da CNC, Ronaldo Caiado ainda criticou o que seria uma postura ideológica da chancelaria brasileira, o Itamaraty, e disse que o Brasil sofre pressões simultâneas dos EUA, da China e da Europa –citando barreiras regulatórias europeias, as cotas chinesas e o tarifaço americano.


“Hoje os americanos nos ameaçam com 25% [de tarifa] pela seção 301. [Com] a União Europeia acabamos de fazer o acordo [UE-Mercosul] e disseram: ‘estamos enxergando uso de antibiótico fora dos padrões, cancelaremos as importações de carne'”, afirmou. “Aí vem a China e diz: ‘vocês já atingiram a cota [da carne]. A partir de agora vocês têm que pagar 55% mais 12,5%.”


‘Se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula’, diz Caiado


Questionado por jornalistas sobre os efeitos do caso “Dark Horse” na campanha eleitoral, Caiado respondeu que o “grande divisor de águas” capaz de dar condições aos candidatos de debater com o PT será a “conduta moral, de envolvimento em corrupção”.


“Todas as pessoas sabem, muitos ainda não querem confessar: Se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula”, disse o ex-governador. “A candidatura dele [Flávio] está sendo construída como sendo a candidatura que o PT deseja.”


‘Geração de imprestáveis’: Zema propõe retirar Bolsa Família de quem recusar emprego


Também presente no evento da CNC, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato Romeu Zema (Novo) propôs cancelar o Bolsa Família de quem recusar três propostas consecutivas de emprego.


“Caso contrário, nós vamos estar convivendo com essa geração de imprestáveis que estamos vendo crescer”, projetou o candidato, que também defende cancelar o benefício de quem não se inscrever no ensino fundamental, médio ou profissionalizante.


“Se o Estado está pagando, o Estado pode estar exigindo. Espera aí, eu estou te dando tanto, mas não é para você ficar assistindo série do Netflix”, disse. Mais tarde, a jornalistas, o pré-candidato do Novo disse que pretende rastrear os beneficiários que hoje não cuidam de filhos ou idosos, e propôs pagar R$ 5 mil como incentivo para o trabalhador que aceite uma proposta de trabalho.


Zema desconversou sobre a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, defendida pelo governo e travada no Senado, e disse apoiar o pagamento por horas como alternativa à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “A CLT praticamente inviabiliza esse tipo de contratação hoje no Brasil”, disse. “Me arrume alguém que é contratado via CLT e trabalha 8, 10 horas por semana. Não existe. Eu quero que o brasileiro tenha essa opção.”

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