“O que está em jogo não é a condenação de conduta errônea. A votação de hoje é um sinal a milhões de brasileiros sobre a credibilidade de uma instituição centenária, fundamental para democracia em nosso país”. Com essa afirmação o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) abriu seu discurso nesta quarta-feira (11) durante sessão destinada a julgar o processo de cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
Randolfe falou em nome do PSOL, partido que ingressou com representação contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, e afirmou que o cargo de senador exige uma espécie de “sacerdócio com a coisa pública”.
– Ser republicano exige muito de nós. Exige ser, em especial, intensamente ético. Conduta moral e decoro parlamentar não é um favor que fazemos à sociedade. É o dever-ser do parlamentar – disse Randolfe.
O parlamentar amapaense sustentou que Demóstenes colocou seu mandato a serviço de interesses do contraventor Carlinhos Cachoeira, obteve vantagens indevidas e mentiu a seus pares e à população brasileira ao alegar desconhecimento das atividades de Cachoeira.
– A nenhum agente público cabe receber favores, seja um real, seja um centavo de um agente privado. Quanto mais quando esse favor é claramente prestado por um agente de uma organização criminosa – disse o senador em referência ao aparelho celular dado por Cachoeira a Demóstenes e às centenas de ligações registradas entre os dois.
Segundo Randolfe, o teor das ligações indicava que o senador não era apenas amigo de Cachoeira, mas um “braço político” do grupo do contraventor no Congresso. Na avaliação do parlamentar do PSOL, a conduta de Demóstenes justifica o processo protocolocado pelo partido.