Francisco Dutra
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Os petistas reivindicarão a presidência da Câmara Legislativa. Após reunião na manhã de ontem o bloco PT-PRB fez o anúncio oficial, mas não divulgou o nome do candidato à chefia do Poder Legislativo. E a lista de possibilidades é ampla. Apenas o líder do bloco, Chico Vigilante (PT), e Evandro Garla (PRB) estão fora do páreo. Os demais petistas, Chico Leite, Arlete Sampaio, Wasny de Roure e Patrício, atual presidente, são nomes possíveis, ainda que Wasny tenha dito que só postula uma vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal.
Devido à falta de musculatura política do PRB era esperada a exclusão do nome de Garla. Por outro lado, a retirada do nome do Vigilante é consequência do atual perfil do deputado. Vigilante é o defensor mais fervoroso do GDF, de difícil compatibilização com a independência esperada para o presidente da Câmara. “Meu estilo teria de mudar muito”, resumiu.
Segundo Vigilante, o bloco buscará reuniões com o governador e com os demais blocos da Câmara. Nesse sentido, a reunião com Agnelo Queiroz será crucial. O governador já disse que não veria grandes problemas na reeleição de Patrício, a despeito da necessidade de revogar a proibição imposta à reeleição pela Lei Orgânica do DF. Mas o Buriti não se mexeu para isso.
Estranha-se na Câmara que não se tenham definidos nomes petistas para a presidência ainda não estarem definidos. Na comparação com outras legislaturas, a esta altura do campeonato pelo menos o governo já teria seu nome em campanha. Há ainda um sinal de alerta: na segunda eleição da Mesa Diretora dos dois últimos governos, o Executivo, por diversas razões, não conseguiu eleger seus preferidos.
Precedentes
Em 2004, Fábio Barcellos chegou à presidência contra a disposição de Joaquim Roriz. Já em 2008, Leonardo Prudente não era a primeira escolha do então governador José Roberto Arruda, mas ganhou. De qualquer forma, a atual gestão do Palácio do Buriti não enfrenta grandes desconfortos no Legislativo. Interlocutores do GDF comentam até que o governo está “muito satisfeito”.
Agnelo deverá se reunir com todos os blocos na Câmara após o retorno dos Estados Unidos, ainda esta semana. Além do anúncio do bloco PT-PRB, outras duas movimentações chamaram a atenção no jogo pela presidência. O mesmo bloco sondou recentemente o bloco composto pelos distritais Israel Batista (PEN), Luzia de Paula (PEN), Paulo Roriz (PEN), Dr. Michel (PEN), Joe Valle (PSB) e Claudio Abrantes (PPS). Da mesma forma, o bloco liderado pelo PMDB também procurou o bloco comandado por Israel Batista.
O bloco capitaneado pelos peemedebistas tem dois nomes possíveis para a presidência: Agaciel Maia (PTC) e Roney Nemer (PMDB). O nome de Agaciel tem se consolidado pelo bastidores, chegando a ter bençãos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Dentro do Palácio do Buriti algumas alas do Executivo também consideram Agaciel como uma pessoa preparada politicamente para a presidência.
Falta nome ao debate
“O PT soltou um balão de ensaio”, afirmou o deputado Israel Batista após saber que o bloco PT-PRB anunciou a busca pela presidência da Câmara, mas não cravou o nome do candidato. Batista recordou que o nome da deputada Arlete Sampaio havia sido ventilado meses atrás, mas não foi bem recebido.
O fato de não se colocar um nome permite que o bloco tenha flexibilidade para compor uma chapa vencedora. Mesmo assim, Israel considera que o bloco composto principalmente pelo PEN não vai ficar alheio às movimentações do PT e do PMDB. “Nosso bloco vai ter influência nesse processo também. E não vamos deixar passar nada goela abaixo”, afirmou.
De acordo com Batista, o bloco deverá fazer uma reunião nos próximos dias para definir seu futuro na disputa pela presidência. “Dentro do bloco ainda temos posições divergentes. O bloco vai amadurecer as suas posições até essa reunião”, comentou.
Na leitura do parlamentar, é possível que o desfecho da conversa vá além do apoio ao PT ou PMDB. “Nosso bloco é grande e, portanto, podemos até dar a largada para uma candidatura própria. É uma possibilidade”, argumentou. Após as definições dos nomes para a presidência, os distritais deverão começar as articulações para os demais postos da Mesa Direto e das Comissões.
Saiba mais
Para viabilizar a reeleição, Patrício corre contra o tempo. A eleição será até 15 de dezembro. Além de precisar do voto de 16 distritais para mudar a lei orgânica, é preciso respeitar o prazo de 10 dias de intervalo após a votação e a publicação no Diário Oficial da Câmara.
O principal projeto do Executivo para votação na Câmara é o PPCUB, Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília.