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Política & Poder

PT projeta aliança na órbita de Lula

Arquivo Geral

26/01/2018 7h00

Atualizada 25/01/2018 21h57

Myke Sena

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Fustigado pela condenação em 2ª instância do ex-presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores do DF busca reaproximação nacional com as forças políticas de esquerda e movimentos sociais. Classificando a condenação como “ato político fora da Lei”, a legenda promete radicalizar na defesa de Lula. Lançará mão de recursos judiciais e de desobediência civil.

Segundo o vice-presidente regional e deputado distrital Chico Vigilante (PT), a decisão nacional se refletirá no Distrito Federal, inclusive na definição da coligação majoritária da legenda para o Palácio do Buriti. Ou seja, em chapa pura ou aliança, o candidato ou candidata do PT terá como bandeira defender Lula no palanque, até porque o ex-presidente permanece candidato do partido para a Presidência da Republica.

No DF, a nova tática da legenda será debatida na próxima quarta-feira, 31 de janeiro. “O PT vai trabalhar em um movimento nacional para barrar a ditadura da toga. Vamos falar com todos os partidos da esquerda, PCdoB, PDT e movimentos sociais”, afirma.

Conversas com PSB e PPS estão descartadas. A sigla não digere o governo Rollemberg (PSB). “O senador Cristovam Buarque (PPS) apoiou o golpe. Não fazemos alianças com quem golpeou a democracia”, completa Vigilante.

No entanto, PDT, PCdoB, PPS e PSD acabaram de formar uma pré-coligação. “Foi apenas uma foto de momento”, minimiza Vigilante. O parlamentar aposta que a aproximação nacional gere desdobramentos regionais mudando o composições antes da eleição.

Mesmo que o PT fique isolado ou com pouco aliados, a seção partidária do DF projeta uma candidatura majoritária. Vigilante lembra que o partido disputou todas as eleições da história do DF. “Nunca tivemos medo de ir sozinhos”, crava. Proporcionalmente, a legenda mira a eleição de quatro deputados distritais e um federal.

Questionado sobre até que ponto iria a desobediência civil, o vice-presidente regional responde: “É todo tipo de movimento. Protesto, greve e tudo que for possível. Serão atos de resistência. (Mahatma) Gandhi ensinou bem isso para a humanidade”. Desta forma, vamos radicalizar na defesa de Lula”.

Sinais de isolamento

Apesar das principais siglas de esquerda cultivarem o respeito à Lula, suas lideranças movimentam peças para candidaturas próprias e sem PT. O PDT, por exemplo, tende a levar a -candidatura de Ciro Gomes até as urnas. Há mais de 10 anos a legenda não disputa o Planalto.

E desta vez conseguiu a filiação de personagens como Mangabeira Unger. Filósofo e cientista político, ele foi responsável pelo plano de governo proposto por Leonel Brizola, em 1989. Naquela eleição o partido ficou em 3º lugar no primeiro turno.

O mesmo pensamento se reflete no DF. A sigla está cansada de ser coadjuvante. Em 2010, deixou de eleger Cristovam Buarque para o GDF, em favor do PT. Na eleição de 2014, recolheu o nome de Reguffe em favor de Rollemberg.

Saiba mais

Chico Vigilante participou da reunião da Executiva Nacional do PT ontem em São Paulo. Segundo o parlamentar, o ex-presidente não está abatido pela condenação. Nas palavras do distrital, hoje, Lula é um animal ferido, pintado para a guerra, e não aceitará as pechas de corrupto e ladrão.

O PT analisa uma lista de pré-candidaturas com nomes da diretora do Sindicato dos Professores, Rosilene Correa, o ex-ministro Eugênio Aragão e a ex-vice-governadora Arlete Sampaio, entre outros.

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