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Política & Poder

PT não definiu candidato ao Buriti

Arquivo Geral

05/07/2018 7h00

Atualizada 04/07/2018 21h12

JULIO MIRAGAYA (PRES. DA CODEPLAN) FOTO : ANDRESSA ANHOLETE

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

A definição da pré-candidatura do PT para o Governo do Distrito Federal ainda não sai de cima do muro. Com pressa para colocar a -campanha na rua, o diretório regional tentou antecipar a batida do martelo, mas a executiva nacional não autorizou. A regra é seguir o calendário nacional, dentro da estratégia de defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso, para o Palácio do Planalto. O congresso eleitoral do PT está marcado para 27 e 28 julho.

“A decisão da nacional foi manter a decisão para o final de julho. Nós pretendemos apresentar um pedido de reconsideração para a próxima semana”, desabafa a presidente regional, deputada federal Érika Kokay. Esta será a última tentativa local de antecipar os nomes majoritários brasilienses, pois afinal o PT precisa escolher não apenas o nome para disputar o GDF, mas também os dois pretendentes ao Senado Federal.

“O PT já faz debates internos. Mas é importante definir a chapa para que possamos discutir com a sociedade e apresentar nossos pré-candidatos”, justificou Kokay. De fato, o diretório brasiliense vem tentando oficializar o nome da urna de votação sem sucesso há um bom tempo. Inicialmente, seria em maio. Decisão adiada pela nacional. Depois seria em 23 de junho. Mas novamente o gato subiu no telhado pelas ordens nacionais.

Para Kokay o tempo é um fator estratégico. Um dia a mais ou menos, na avaliação da parlamentar, pode ser a diferença para o PT conseguir uma coligação ou não. E atualmente, o partido encontra dificuldade para selar alianças. A mesma lógica serve para composições com os movimentos sociais, fundamentais nas campanhas de rua junto com a militância do partido. Tudo isso ganha ainda mais importância porque o campo de centro esquerda local continua sem uma grande liderança.

Por outro lado, pelo menos oficialmente, segundo Kokay, o partido está de portas fechadas para qualquer composição com o atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB), pretendente à reeleição. “Também somos oposição à nova e a velha direita. Não conversarmos com os grupos de Cristovam Buarque (PPS) Jofran Frejat (PR) e Joaquim Roriz”, bateu Kokay.

No patamar nacional, o PT avalia até quando investirá na aposta na pré-candidatura de Lula, preso e com a viabilidade eleitoral ameaçada pela Lei da Ficha Limpa. Mas a pesar de correntes do partidos cogitarem um plano, a maior parte das lideranças continua ombro a ombro com Lula.

Pesa para esta postura o bom desempenho do ex-presidente nas pesquisas e a alta capacidade de transferência de votos de Lula para aliados. De fato, analistas e estrategistas dentro e fora do partido calculam que o PT terá forte influência no resultado das eleições nacionais e regionais, com ou sem Lula. Mas para tanto, o nome do ex-presidente precisa continuar nos holofotes.

Contudo, no patamar brasiliense, o partido sofre pela ausência de um nome majoritário. Nenhum dos parlamentares atuais, conhecidos pelo eleitorado, topou o voo pelo Buriti. Neste sentido dois nomes “publicamente” novos estão no páreo. O primeiro é o bancário aposentado Afonso Magalhães o segundo é o economista Julio Miragaya. Ambos são correligionários históricos, mas a “Dona Maria” e o “Seu João” não sabem quem são.

Demora nem incomoda os pretendentes

Os pretendentes à posição de pré-candidato a governador pelo PT possuem visões distintas sobre o atraso. Segundo Afonso Magalhães, a perda de tempo é relativa e pode ser compensada com um lançamento sintonizado com uma forte campanha nacional. Para Julio Miragaya, a lentidão dificulta a estratégia eleitoral do partido, seja quem for o escolhido para representá-lo.

“Se estamos perdendo tempo com isso, vamos recuperar lá na frente com a campanha de Lula. Em política o tempo é relativo. Vamos recuperar com uma campanha coesa, impulsionada nacionalmente”, opinou Magalhães. O bancário aposentado foi o primeiro filiado a colocar o nome à disposição para o Buriti.

“Minha linha é resgatar tudo o que foi feito nos dois governos do PT no DF”, afirmou. Além do combate contra o desemprego, Magalhães pretende montar um orçamento com foco na população marginalizada e carente. “Colocar o povo dentro do orçamento e cuidar da cidade. Fazer manutenção para não deixar viaduto cair”, alfinetou.

Em tempos de Copa do Mundo, Miragaya faz uma analogia. “Está vendo a quantidade de gols que estão saindo nos acréscimos nesta Copa? O PT é assim. Eu seria desonesto se dissesse que essa demora não dificulta. Mas vamos em frente”, brincou o economista.

A proposta de governo de Miragaya possui dois pilares. Começa com o fortalecimento do setor público. “Isso depende do apoio do Governo Federal e passa pela reeleição de Lula”, completou. O segundo ponto é a diversificação da estrutura de produção privada do DF em cadeia com a Região Metropolitana, o Entorno. Segundo o economista, entre janeiro e maio o número de empregados na indústria de transformação recuou de 47 mil para 42 mil pessoas.

Saiba Mais

O diretório regional definirá o pré-candidato, ao menos em tese, pelo voto dos 300 delegados locais.

Segundo Miragaya, Lula é alvo de uma farsa eleitoral e jurídica. Para o petista, o processo é marcado por irregularidades e açodamentos para tirar o ex-presidente da eleição.

Afonso Magalhães destacou que, se candidato também pretende fazer uma gestão com extremo respeito aos trabalhadores públicos e privados.

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