Eduardo Brito
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Embora não admita de público, nem possa fazer isso, as lideranças do PT na Câmara e no Senado já contam com substancial redução das suas bancadas após as eleições deste ano. Pesam para isso o desgaste do partido após mensalão e Lava Jato, a obstrução do fluxo de recursos que irrigava campanhas e, agora, a possibilidade de que o ex-presidente Lula não figure mais na urna eletrônica. O desastre da eleição municipal deu o alerta.
A queda, na verdade, já começou. Desde 1982, a bancada petista na Câmara teve aumento exponencial de sua bancada a cada eleição. Até a virada do milênio, praticamente duplicava a cada legislatura. Chegou a 91 deputados após a eleição de 2010. No início da atual legislatura, porém, eram 68. Agora, são apenas 57. As projeções indicam risco de caírem abaixo de 50.
No Senado, a situação é ainda mais grave. O partido iniciou a legislatura com 14 cadeiras. Delcídio Amaral foi cassado, o suplente Donizete Nogueira foi mandado para casa, e outros três, Marta Suplicy, Ângela Portela e Walter Pinheiro, deixaram a legenda.
Dos nove remanescentes, só dois terão mais quatro anos de mandato. Os outros sete terminam seu tempo agora. Dois deles já sabem que não há como disputar a reeleição: Regina Souza, suplente sem voto, e José Pimentel, rifado pelo próprio partido.
Dos restantes, só Jorge Viana tem reeleição assegurada, no Acre. Paulo Paim está bem nas pesquisas, mas o quadro pode mudar. Humberto Costa sonha com um acordo com o PSB de seu estado para obter vaga na chapa e ter alguma chance. Sem isso, não terá como pleitear a reeleição.
Saiba mais
A situação mais complicada é justamente a dos dois senadores que mais se destacaram na defesa intransigente da então presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment.
Tanto Gleisi Hoffmann, hoje presidente nacional do partido, quanto Lindbergh Farias, líder da bancada, respondem a processos na Lava Jato. Não podem perder o foro privilegiado. As chances de reeleição são escassas, tanto pela exposição nacional quanto pela composição das forças locais. Devem disputar cadeiras de deputado federal.
Está na mesma situação sua aliada na defesa de Dilma. Vanessa Grazziotin, do PCdoB, corre sério risco e pode sair para a Câmara.