Francisco Dutra
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A batalha pela divisão de Planaltina tem potencial para modificar o tabuleiro político e administrativo da Saída Norte do Distrito Federal. A região também inclui Sobradinho, Sobradinho II, Itapoã, Paranoá e Fercal. Segundo a proposta do deputado distrital Raad Massouh (PPL), o Arapoanga passaria a ter uma administração regional com poder de gerência sobre o Vale do Amanhecer e parte da zona rural das vizinhanças.
Planaltina é um dos três maiores colégios eleitorais da capital, com 230 mil moradores. Deste total, 100 mil pessoas vivem no Arapoanga e no Vale do Amanhecer. A proposta está longe do consenso. Questionamentos surgem, por exemplo, do também distrital Cláudio Abrantes, atualmente sem partido.
Sede sobrecarregada
“Planaltina cresceu muito e está sobrecarregada. A criação de uma nova administração regional iria desafogá-la e permitiria que o Poder Público tenha mais atenção para a população do Arapoanga”, argumentou Raad Massouh.
O deputado também considera que a separação seria positiva para a regularização fundiária do Arapoanga, uma vez que quase 100% da região tem origem particular, diferentemente do cenário total de Planaltina. Conforme a posição do distrital, a criação da região administrativa do Arapoanga segue os mesmos passos vistos quando o Sobradinho II se emancipou de Sobradinho.
Coleta de assinaturas
O deputado já colheu 16 mil assinaturas na região para apoiar a divisão. Além do projeto para a criação da região administrativa na Câmara Legislativa, Raad levou o assunto ao governador Agnelo, na semana passada.
Cláudio Abrantes não esconde suas restrições à proposta. Para ele, a eventual separação é prerrogativa do Poder Executivo. “Eu sempre lutarei pelo Arapoanga, seja bairro ou cidade. E sempre respeitarei a população. Agora, pessoalmente, acho que a separação não vai resolver os problemas da região. A criação de administração regional eminentemente se resume à criação de cargos”, afirmou. Para o distrital, a região ganharia mais se os recursos para a criação de mais uma administração fossem investidos diretamente em obras e projetos sociais.
Administrador contesta
A administração regional de Planaltina ainda não recebeu qualquer documento oficial sobre a divisão da região administrativa. No entanto, o administrador Nilvan Pereira de Vasconcellos avalia que a proposta não resolve necessariamente os problemas da população.
Segundo Nilvan, Planaltina precisa de maior capacidade de solução dos problemas, meta prejudicada por ficar muito distante do centro do DF e das empresas públicas de serviços.
“Isso seria resolvido com a instalação de um posto avançado da Novacap e da Coordenadoria das Cidades aqui na região, para resolvermos os desafios mais rapidamente. A nova administração seria só mais um escritório para coleta de demandas”, diz.
Faltam estudos técnicos
O coordenador-geral da Coordenadoria das Cidades, Francisco Machado, considera que são necessários estudos técnicos antes de um posicionamento oficial. Conforme as palavras de Machado, a decisão é do governador, mas a princípio, o coordenador avalia que a proposta está fora de cogitação.
“A força de Planaltina está na unidade. Desmembrá-la não resolve os problemas do Arapoanga. E enfraquece a região como um todo”, acrescenta Cláudio Abrantes.
Raad Massouh considera que com a emancipação a região ganhará com a valorização imobiliária. “O governo também será obrigado a levar educação, saúde, segurança pública e os demais serviços para a região. A cidade vai mudar da água para o vinho”, completou.
O parlamentar nega que a motivação da proposta tenha raízes políticas, mas admite que, caso seja concretizada, a mudança terá impactos políticos. “Ao criar uma nova administração, cria-se um outro reduto eleitoral. É um efeito cascata”, comenta. Nesse sentindo, o distrital considera a mudança positiva pois aumentaria as opções políticas para os moradores.