Da Redação, com agências
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A suposta organização criminosa chefiada por Carlinhos Cachoeira, que se estabeleceu em Goiás e no Distrito Federal, pagava propina a pelo menos 38 policiais, conforme áudios coletados pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Monte Carlo e divulgados pelo Fantástico. As investigações da PF revelam ainda o envolvimento de Cachoeira e seu grupo em supostas ameaças de sequestro e espancamento para os inimigos do bando. A convocação dos policiais, todos afastados das funções, será discutida hoje na CPI do Cachoeira, no Congresso.
Um dos servidores acusados de receber dinheiro da quadrilha, Anderson Aguiar Drumond, faz parte dos quadros da própria Polícia Federal em Brasília, na divisão de serviços gerais, fornecendo os carros e caminhões utilizados nas operações da PF. O que lhe dava condições de dar informações privilegiadas ao grupo de Cachoeira sobre as operações de combate ao jogo ilegal.
O funcionário da PF teria sido flagrado em grampos pedindo dinheiro para o grupo de Cachoeira. A contabilidade da quadrilha, apreendida pela PF, mostra que, entre fevereiro e agosto de 2001, Cachoeira teria autorizado oito pagamentos para Drumond. De acordo com os policiais federais, a soma da propina, que era chamada de “assistência social” pelos contadores do esquema, alcançaria R$ 24 mil.
Em nota, o advogado de Drumond disse que as provas apresentadas pela PF seriam “ilícitas”. Além disso, o defensor alega que as gravações estariam fora de contexto e “não representariam a realidade”.
Cachoeira é suspeito de comandar um sequestro. Em 2009, antes da Operação Monte Carlo, desconfiado que alguém estava fraudando seus caça-níqueis, o bicheiro teria ordenado que o sargento reformado da Aeronáutica Idalberto de Araújo, o Dadá, apontado como informante e araponga, fosse checar a suspeita. Na conversa, Cachoeira mandou o araponga “desbaratar os malandros”. A ordem que teria sido cumprida.