Menu
Política & Poder

PDT quer Buriti, mesmo sem Joe

Arquivo Geral

13/04/2018 7h31

MICHAEL MELO/cedoc

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Com ou sem o presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle , o Partido Democrático Trabalhista lançará um candidato para o Governo do Distrito Federal. O parlamentar foi lançado pela agremiação como pré-candidato ao Buriti, mas pondera mudar de rumo para disputar o Senado na coligação do pré-candidato a governador Jofran Frejat. Segundo a cúpula do PDT brasiliense, a alteração de rota não está em discussão. Valle é nome ideal, mas poderá ser substituído por outro.

“Nós pensamos na candidatura de Joe e estamos trabalhando nela. É do nosso interesse e ele tem condições ganhar a eleição. Ele diz ter a opção de ser candidato na chapa do Frejat. Nós vamos trabalhar na nossa candidatura para o GDF. Se não for o Joe, teremos outro candidato do PDT. Iremos procurar outra opção dentro do partido”, afirma o presidente regional do PDT, Georges Michel. O dirigente não cita ainda substitutos, pois ainda considera Joe como o principal.

“Joe Valle é o nosso candidato hereditário à governador. Ele tem todas as caracteristicas do PDT. E tem condições plenas de ganhar. Pela sua competência na gestão, sua tradição vitoriosa na política, por ser uma pessoa sem manchas, um empresário de sucesso e por saber fazer composições políticas corretas, ao nosso ver”, argumenta Michel.

As bandeiras do PDT são a implantação do ensino em período integral, incentivo para as micro, pequenas e médias empresas, bem como a reestruturação da saúde e da segurança pública. Além dos planos do partido para o DF, também pesa na balança a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) para o Planalto. O pré-candidato dependerá de palanques em todo Brasil e o DF é considerado como um ponto estratégico, especialmente pelo fato da eleição nacional tender para uma disputa em dois turnos.

Neste contexto, a direção nacional tambem terá a palavra na discussão sobre o futuro de Joe. Georges Michel não vê problemas com Jofran Frejat, o caldo entorna nos nomes no entorno do repubicano, como o ex-governador José Roberto Arruda (PR), o presidente regional do MDB, Tadeu Filippelli e o presidente regional do DEM, deputado federal Alberto Fraga. Nomes com posições ideológicas antagônicas ao PDT e com contas pendentes com a Justiça.

“Frejat é um homem de bem, correto. Mas os partidos que compõem a coligação dele, estão longe de representar as ideias do PDT. O Fraga defende a redução da maioridade penal, o porte de armas. O PDT com sua tradição, sua ideologia, sua posição de esquerda, progressitsa, jamais poderia estar aliado a uma candidatura que venha a apoiar Jair Bolsonaro (PSL), que representa o pior da vida politica brasilieria”, desabafa, fazendo referência a amizade entre Fraga e Bolsonaro. Mesmo em uma, eventual, disputa pelo GDF sem Valle, Michel descarta qualquer coligação para a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Falta ajuste para fechar coligações

Além do debate interno no PDT, uma eventual aliança com Frejat agora depende da direção do PR e também das legendas que já fecharam questão com o republicano, como MDB, DEM e PP. Palavras do próprio Frejat. Desde o ano passado, Joe nutria um projeto alternativo para o DF junto com Jofran e Cristovam Buarque (PPS). O senador esperava que Frejat caminhasse para o campo progressista, mas não que Joe andasse para sentido conservador.

“Eu tenho conversado com Joe, a respeito da candidatura dele para o Senado. Mas ele depende da posição do PDT. E não é tão simples assim. Porque já temos outros partidos coligados conosco. E Alberto Fraga (DEM) e Paulo Octávio (PP) já manifestaram interesse na pré-candidatura para senador. Não tenho nenhuma restrição ao Joe, mas não depende só de mim”, comenta Jofran Frejat.

Quanto às críticas do PDT sobre as alianças com pendências legais, Frejat faz questão de separar as responsabilidades. “Quem é o candidato sou eu. Tudo aquilo que for positivo eu apoio. Não tenho como responder pelos problemas dos outros. Mas não julgo ninguém. Quanto já foram acusados e posteriormente a Justiça inocentou? Não me envolvo com irregularidades, respeito o que é bom e não faço julgamentos”, rebateu.

O senador Cristovam Buarque comenta que em dezembro de 2017, ele e Joe buscavam a união do grupo com outro tom. “A ideia era trazer o Frejat para o nosso lado e de outros. Nunca houve a ideia de irmos para lá. Frejat seria muito bem vindo. Parece que Joe é bem vindo lá”, comentou. No passado, Joe seria o nome para o GDF e Frejat seria a opção para Senado.

Buarque participa da construção da nova Aliança Alternativa para o GDF e esperava ter Joe junto. A frente é composta por PSD, PRB, PSDB, PPS, PMN, PMB, DC, PSC, PPL, PTB e Patriotas. “Joe era um dos nomes para esse bloco. Eu não seria o candidato. Eu, sinceramente, tinha esperança que seria um dos nomes que serão considerados para ser o candidato”, comenta.

Saiba mais

Para conquistar a presidência da Câmara Legislativa, Valle construiu uma aliança com MDB e parlamentares acusados pela operação Drácon. Segundo Georges Michel, o movimento foi acertado e Joe vem gerindo a Casa com decência e eficiência.

Em 2010, o PDT não disputou o GDF para apoiar Agnelo Queiroz (PT), em função de acordo nacional. Em 2014, apoiou Rollemberg. Georges Michel foi contra, pois acreditava que o partido poderia ser protagonista. Foi voto vencido.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado