Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com
Para conseguir o apoio do PDT na campanha de reeleição, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) precisa vencer duas missões para ter chances de sucesso. Em primeiro lugar, o diretório brasiliense exige que o detentor das chaves do Palácio do Buriti garanta o apoio nacional do PSB a Ciro Gomes (PDT) na disputa pela Presidência da Republica. Em segundo, o partido só sentará na mesa de negociação se tiver direito a escolher livremente uma vaga majoritária na eventual coligação.
O diretório regional não simpatiza com a gestão Rollemberg e prefere manter na rua a candidatura de Peniel Pacheco (PDT). Contudo, o partido não conseguiu aliados e o governador declarou apoio local à Ciro. Este cenário proporcionou as condições para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, passar a ver com bons olhos uma dobradinha no Distrito Federal. Na tarde desta terça-feira (31/07), Rollemberg foi pessoalmente negociar com Lupi na sede nacional e regional do PDT, na região central de Brasília.
Mesmo com a pressão constante, o diretório regional continua a manter posição, por enquanto. A ausência do presidente da Câmara Legislativa, deputado distrital Joe Valle (PDT), é um sinal claro do descontentamento de uma parte importante do diretório. “Eu não diria grande parte. Eu diria quase a totalidade”, emendou o presidente regional do PDT, Georges Michel. O dirigente não descarta uma coligação com Rollemberg, mas enfatiza a defesa de uma candidatura própria.
Segundo Peniel Pacheco, a candidatura de Ciro é a principal prioridade do PDT. “Não vamos fechar as portas para o diálogo. Nós estamos conversando com vários partidos. E não vamos excluir o PSB dessa conversa. Até porque nos interessa ter o apoio do PSB nacionalmente”, comenta. Além do apoio nacional, o diretório regional também colocou na mesa de negociação a exigência de uma vaga majoritária em uma eventual chapa com Rollemberg. Contudo, o partido quer ter o direito de escolher qualquer uma.
As duas condições impostas não são de fácil execução. Por isso, soam mais como tentativas para frear a imposição de uma coligação que é impulsionada pela executiva nacional. Se aliança for selada irá gerar fortes impactos no PDT. Por exemplo, o candidato à reeleição deputado distrital Cláudio Abrantes não irá apoiar o governador Rollemberg em nenhuma hipótese. “Estou disposto a ir à últimas consequências”, ameaçou.