Menu
Política & Poder

‘Pastor do cigarro’ e o ‘mais sanguinário dos capos’: saiba quem são os alvos da operação da PF no RJ

A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes em contratos públicos, contravenção e possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas criminosas no estado

Redação Jornal de Brasília

02/07/2026 12h09

marcio pocio

Reprodução /Marcio Poncio no Instagram

BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A nova fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, realizada nesta quinta-feira (2), prendeu sob suspeita o pastor Márcio Poncio e teve como alvos o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral.

A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes em contratos públicos, contravenção e possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas criminosas no estado.

Saiba quem são os investigados:

MÁRCIO PONCIO

Conhecido como “pastor do cigarro”, é pastor evangélico, empresário do ramo do tabaco e fundador da Igreja da Nuvem. Com 52 anos, nasceu no Rio de Janeiro e atua na liderança religiosa há cerca de duas décadas, tendo ganhado notoriedade também nas redes sociais como patriarca da família Poncio.

É pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio.

Na política, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022, mas não foi eleito. As investigações apontam indícios de lavagem de dinheiro e possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”, que seria coordenada por Adilsinho.

A reportagem procurou o advogado Leonardo Mendonça na manhã desta quinta, por meio de mensagem e telefonemas, mas não teve posicionamento até a conclusão deste texto.

RODRIGO BACELLAR

Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, nasceu em Campos dos Goytacazes e é advogado tributarista. Iniciou sua trajetória política ainda adolescente, no grêmio estudantil, e foi eleito deputado estadual em 2018 com pouco mais de 26 mil votos.

Ganhou projeção ao atuar como relator do processo de impeachment do ex-governador Wilson Witzel e chegou a presidir a Alerj por dois mandatos consecutivos, sendo reeleito de forma unânime.

Cotado em diferentes momentos para disputar o governo do estado em 2026, passou a acumular desgaste político e polêmicas com antigos aliados. Já havia sido preso em 2025 sob suspeita de obstrução de justiça e vazamento de informações sigilosas de operações policiais. Após ser solto por decisão da Assembleia, voltou a ser preso em março deste ano. A nova prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Na ocasião, a defesa afirmou que a prisão era “indevida e desnecessária”.

Ele é investigado por suposta participação em uma rede de proteção e vazamento de informações sigilosas relacionadas a operações contra o Comando Vermelho. Deve ser transferido para presídio federal.

ADILSINHO

Adilson Oliveira Coutinho Filho é apontado pelas forças de segurança como um dos principais nomes do jogo do bicho no estado. Ao ser preso, foi definido pela polícia como “o mais sanguinário dos capos”.

Conhecido pela ostentação e festas de luxo, como uma que ocorreu no Copacabana Palace, ele é investigado por envolvimento com homicídios e contravenção, incluindo o controle da fabricação e distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, com expansão para outros estados.

Ele estaria envolvido em disputas por pontos de jogo do bicho e influência sobre escolas de samba. Foi preso em fevereiro deste ano em Cabo Frio, durante operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado.

O advogado Ricardo Braga, que defende Adilsinho, foi procurado na manhã desta quinta, mas ainda não se manifestou.

MARCO ANTÔNIO CABRAL

Advogado e político, é filho do ex-governador Sérgio Cabral. Foi deputado federal entre 2015 e 2019 e, no período, chegou a se licenciar para comandar a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude no governo Luiz Fernando Pezão.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão ligados a Cabral. Não há pedido de prisão contra ele.

A advogada Patrícia Proetti, que representa Cabral, afirmou que ele “recebeu, na manhã desta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades”.

“Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”, acrescentou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado