Francisco Dutra
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O partido Rede Sustentabilidade ainda é visto como uma grande incógnita no tabuleiro político do Distrito Federal. A legenda, cuja principal liderança nacional é a ex-ministra Marina Silva, começa a caminhar pela capital sem nomes consolidados junto ao eleitorado brasiliense. Personagens da política local também têm dúvidas se o novo partido conseguirá recolher as assinaturas para seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo para as eleições de 2014.
“O principal desafio desse novo partido de Marina é se enraizar no País. É preciso ter pessoas com penetração política nos estados”, resumiu o presidente regional do PT, deputado federal Roberto Policarpo. De acordo com o dirigente da principal legenda de sustentação do governo Agnelo Queiroz, são estes atores políticos que permitem aos partidos influenciar e agir a nível regional. Consequentemente, as ações regionais sustentam e constroem a imagem nacional das agremiações. “É preciso ter nomes, lideranças”, enfatizou.
Para o presidente regional do PSDB, Márcio Machado, a dúvida reside na capacidade de o novo partido conseguir as 500 mil assinaturas necessárias para o registro, sendo que, segundo representantes do Rede, 100 mil destas serão recolhidas no DF.
Só com muita ação
“Acho muito difícil conseguirem as assinaturas a tempo das eleições. Só vão obtê-las se realizarem um movimento muito grande com pessoas realmente comprometidas”, opinou. Machado, à frente de um partido de oposição que busca se reestruturar no DF, também comentou que identifica muitas manifestações de pessoas influentes na política para ajudar Marina.
Do ponto de vista de Machado, um fator para a falta de adesão de políticos no novo partido é a ausência de tempo na televisão. O tucano não nega a força das redes sociais e da internet no cenário político, mas lembra que a TV ainda é ferramenta fundamental.
Acesso à internet
“Este é um campo ainda muito incipiente na política. Muitas pessoas ainda não têm acesso à internet. E mesmo entre os que tem, ainda o número de pessoas que são convencidas politicamente apenas pelas redes sociais ainda é muito baixo”, comentou.
Evangélicos dão força
A Rede começa a se estruturar com grandes chances de ganhar a simpatia do eleitorado evangélico. Nas eleições de 2010, grande parte dos 20 milhões de votos da ex-ministra veio desse grupo, composto por simpatizantes do discurso contra o aborto utilizado por Marina, que também é evangélica. No DF, estima-se que de 30% a 35% da população seja evangélica.
“Ela poderá ter muito apoio do segmento evangélico que tem muito carinho por ela. Isso não tem jeito. Não tenho dúvidas sobre isso”, comentou o presidente regional do PSC, pastor Egmar Tavares. No entanto, o pastor, que pertence a base de apoio do governador Agnelo Queiroz, não considera que o apoio visto em 2010 irá se transferir de forma automática para a nova agremiação.
O presidente regional do PRB, e secretário do Conselho Político do Palácio do Buriti, Roberto Wagner, avalia que o novo partido acertou a mão ao buscar identificação com redes sociais. “As redes são os locais onde a juventude está mais focada. E o perfil do brasiliense é de pessoas conectadas”, afirmou. Nesse sentindo, Wagner ressaltou que o discurso da sustentabilidade e da ética tem forte apelo, especialmente junto ao eleitorado jovem.