Francisco Dutra
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Da mesma forma como a falta de investimentos em manutenção derrubou um dos viadutos da Galeria dos Estados, no coração de Brasília, o descaso com a conservação ameaça hospitais, postos de saúde e demais centro de atendimento público. De 2015 até 2017, o governo do Distrito Federal autorizou a despesa de R$ 62 milhões para o cuidado com os imóveis da rede, empenhando R$ 61 milhões. Contudo, apesar de tetos em queda, goteiras, paredes mofadas e outros problemas estruturais empregou efetivamente só R$ 39 milhões.
Em outras palavras, o governo deixou de injetar R$ 23 milhões em uma rede castigada por problemas estruturais crônicos. Percentualmente, é uma perda de 37.8%. Os números são da própria Secretaria de Saúde. Contudo, pesquisa no Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo) aponta para uma realidade mais amarga. Nos mesmos três anos, a dotação autorizada foi de R$ 57 milhões. O empenho ficou na casa dos R$ 55 milhões, enquanto os gastos reais, liquidados orçamentariamente, patinaram em R$ 32 milhões. Para este ano, estão previstos, por enquanto, somente R$ 13 milhões.
Segundo servidores, a falta de manutenção é critica nos hospitais regionais de Brazlândia, Planaltina, Sobradinho, Gama, Ceilândia, Paranoá e Taguatinga. Conforme relatos de trabalhadores as equipes de manutenção da rede são mínimas e os 16 contratos de manutenção com empresas privadas não conseguem gerar resultados preventivos. Ou seja, os recursos públicos são empregados para apagar incêndios.
“Todos os dias cai um viaduto na saúde. Desabam tetos em berçários, cardiologias e centros cirúrgicos. Isso não é mostrado, não apurado e não é judicializado”, alerta a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues. A falta de prioridade na manutenção abre as portas dos centros de atendimento para para a ploriferação de animais e microorganismos expondo a saúde dos pacientes.
Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate), Jorge Vianna, existem buracos em emergências, comprometendo a circulação das macas, como no caso de Brazlândia. Na leitura do sindicalista, o governo trata com descaso a manutenção, porque este tipo de investimento não aparece para a população, como um grande inauguração.
No entanto, ao contrário de escolas, as reformas de hospitais demandam muito mais do que uma mão de tinta. Encanamentos de oxigênio, esgoto e de eletricidade precisam funcionar com precisão. E neste caso, a falta de manutenção pode culminar com a necessidade de derrubada ou fechamento do centro, castigando ainda mais os cofres públicos.
“É uma questão de prioridade. Dinheiro para asfalto e Carnaval não falta. Este é o foco. E os hospitais estão caindo aos pedaços”, lamenta Vianna. O Sindicato dos Médicos (SindMédico) teve acesso a um relatório sobre o estado dos centros e postos de atendimento, as unidades básicas de saúde, repleto de problemas.
“Em 7 de fevereiro deste ano, o Centro de Saúde 2, do Núcleo Bandeirante amanheceu inundado por conta de uma infiltração no teto. No dia 8 de fevereiro, o forro do teto da sala de medicação do Posto de Saúde da Família da Estrutural desabou”, conta o vice-presidente do SindMédico, Carlos Fernando. No diagnóstico do médico, a má gestão dos recursos para manutenção e preservação preventiva contribui diretamente para o aumento de mortes evitáveis na rede pública.
Buriti promete investir
Prometendo investir R$ 51 milhões em manutenção e reformas, o governo Rollemberg (PSB) discorda das críticas dos servidores. Segundo a subsecretária de Infraestrutura em saúde, Liliane Aparecida Menegotto, a atual gestão realizou mais de 500 serviços de manutenção predial e trabalha uma sequência de licitações para reformas na rede neste ano.
Pelas contas da subsecretaria os contratos de manutenção predial são executados quase na integralidade. Sobre o orçamento, Liliane Menegotto garante que nunca faltou dinheiro para a conservação. No caso deste ano, será solicitada uma suplementação orçamentária, um complemento, para arcar com as contas.
O Executivo também aposta na construção do Hospital do Câncer, com o investimento de R$ 160 milhões. Na avaliação da subsecretaria, a população sentirá a melhoria na manutenção da rede pública a partir do final deste ano.