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Política & Poder

Obras públicas em Vicente Pires são alvo de fiscalização do TCDF

Arquivo Geral

30/08/2018 7h00

Francisco Nero/Jornal de Brasília

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

As obras de asfaltamento e de drenagem das águas de chuva em Vicente Pires serão fiscalizadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O Núcleo de Fiscalização de Obras (NFO) começará a auditoria neste segundo semestre de 2018. O trabalho do corpo técnico estará registrado no processo 35717/17. As obras despertam a desconfiança e a irritação da população. O medo é que a maldição dos buracos continue mesmo depois do gasto público.

Moradores e comerciantes questionam a espessura da massa asfáltica colocada nas ruas de Vicente Pires. Em português claro, temem o desperdício de dinheiro público com a construção de um pavimento fino sem resistência para aguentar a força das chuvas. A demora nos trabalhos também provoca desconforto. Afinal, maquinários e valas atrapalham o trânsito e a poeira invade casas e lojas.

O corpo técnico investiga a qualidade de obras de pavimentação e drenagem no Plano Piloto, feitas entre 2013 e 2014. O corpo técnico encontrou indícios claros de má qualidade e de superfaturamento na órbita de R$ 64,6 milhões.
Na decisão 2381 de 2018, o Tribunal de Contas do DF solicitou para a atual gestão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) um levantamento das falhas e a cobrança das devidas correções, partindo dos bolsos das empresas executoras das obras. Até agora não houve resposta.

Em todo DF, buracos e falhas nas pistas castigam pneus ferindo os bolsos dos contribuintes. Segundo Dikran Berberian, professor de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Infrasolo, o ponto chave do bom asfalto é a compactação do solo que fica abaixo da massa asfáltica. A função do pavimento é justamente proteger essa base da ação da água.

“O nosso asfalto no DF, de modo geral, não é ruim. Não é também de grande qualidade. O que falta é manutenção preventiva na seca. Tapa-buraco na chuva não dá. Bastaria reinventar a vergonha nesse país e tudo estaria resolvido”, pondera o especialista.

Moradores têm dúvidas sobre asfalto

“O asfalto que estão colocando é muito fino. Tem apenas 3 centímetros. Deveria ter pelo menos 7 centímetros”, critica o vidraceiro Joseph Dias de Oliveira, 22 anos. Morador da rua 4 de Vicente Pires há 4 anos, não esconde o receio com a qualidade das obras de pavimentação e drenagem.

“Se o governo atual não terminar essa obra neste ano e se ele não se reeleger, corre o risco de quem vier abandonar as ruas desse jeito”, comenta. Segundo o vidraceiro, aparentemente o projeto não está abrindo bocas de lobo suficientes para o escoamento das chuvas.

A estudante Rebecca Moreira, 21 anos, questiona a forma como o governo trabalha. Segundo a moradora, as obras poderiam ser feitas a noite para não atrapalhar o trânsito. Além disso, as ruas abertas e com a base compactada pronta deveriam ser seladas com pavimento imediatamente.

“Não vi muito asfalto até agora. Eles quebram tudo e poeira entra na casa de todo mundo. Está virando um caos”, reclama, enquanto conduzia o carro driblando obras e maquinário bloqueando as pistas, na altura da rua 10.

O estudante Gustavo Guedes, 23 anos, sabe que o motivo do desgaste é bom, pelo menos na promessa do governo. “A gente espera que quando esse asfalto ficar pronto aguente as chuvas”, completa.

Saiba Mais

O Jornal de Brasília buscou os esclarecimentos e justificativas do GDF sobre a questão do asfalto na quarta-feira (29), às 14h50. Às 19h59, sem resposta, a reportagem entrou em contato mais uma vez com o governo, mas até o fechamento desta matéria o Palácio do Buriti permaneceu calado.

Segundo Dickran Berberian, o colapso do asfalto começa com trincas no pavimento. Elas evoluem para depressões. Os afundamentos ganham forma de panelas rachadas. A água começa da destruir a base, abrindo os buracos. Com o tempo, os motoristas precisam desviar de crateras para evitar acidentes.

Antes das obras de pavimentação, a população de Vicente Pires já reclamava da falta de um projeto sólido para enfrentar os buracos na região administrativa.

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