Menu
Política & Poder

No DF, doze candidatos estão na disputa pelo Buriti

Arquivo Geral

06/08/2018 7h00

Palácio do Buriti. Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

A sorte pode sorrir para a campanha de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ganhar o apoio do PDT. Ao final do turbulento ciclo das convenções partidárias, nesse fim de semana, o diretório regional do partido buscava uma coligação com a candidata ao Palácio do Buriti, Eliana Pedrosa (Pros). Contudo, o presidente nacional da agremiação, Carlos Lupi, entrou em campo defendendo outro rumo, ao lado do PSB.

Lupi argumenta que Rollemberg passou a defender de maneira firme a candidatura de Ciro Gomes (PDT) para o Palácio do Planalto, independentemente da postura nacional do PSB. Na noite de ontem, porém, o partido estava dividido entre os argumentos do dirigente e da cúpula local. Em reuniões diferentes, Rollemberg e Eliana negociaram diretamente com o diretório. Na negociação, o PDT pleiteou espaços no Senado e apoio para candidaturas de deputados.

A saída do tabuleiro eleitoral do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), foi também um forte indício da composição. Afinal, o parlamentar é um crítico aguerrido da gestão Rollemberg. A candidatura de Ibaneis Rocha (MDB) também conseguiu garfar aliados de rivais. Além do núcleo duro, estruturado por MDB, PP e Avante, a campanha ganhou PSC, PPL e o PSL.

Prazos

Os partidos deverão registrar as chapas hoje na Justiça Eleitoral. Contudo, as conveções não são definitivas. Teoricamente, os partidos ainda pode fazer revisões até 15 de agosto. Por isso, coligações ainda estão indefinidas.

Mirando no GDF, Alberto Fraga (DEM) avalia a melhor opção para vice-governador dentro do PR. Nos bastidores, um nome cotado é do dirigente da agremiação Alexandre Bispo. A segunda vaga para o Senado também está em aberto.

A chapa de Ibaneis tem apenas um senador definido: João Pedro Ferraz (PPL). A segunda pertence ao PP. O partido indicou o correligionário e empresário Paulo Octávio. “Se ele quiser, é o nome do PP”, diz o presidente regional Rôney Nemer.

Com o fim das convenções, o panorama das candidaturas para o GDF apresenta 12 chapas. É um quadro extremamente pulverizado, com forte tendência para culminar em uma eleição em dois turnos.

Definições e indefinições
Defendendo as bandeiras liberais e conservadoras estão em combate Eliana Pedrosa, junto ao candidato a vice Alírio Neto (PTB); Ibaneis Rocha ao lado de Paco Britto (Avante); Alberto Fraga; Rogério Rosso (PSD) compondo com o pastor Egmar Tavares (PRB); o general Paulo Chagas (PRP) ombreado com Adalberto Monteiro (PRP); Alexandre Guerra (Novo) com Erickson Blun (Novo); e o major Paulo Thiago Barreto (PRTB), cuja campanha busca definir o vice.

O campo progressista é composto pelas chapas de Rollemberg com Eduardo Brandão (PV) para vice; Fátima Sousa (PSOL) e Keka Bagno (PSOL); Júlio Miragaya (PT) com Cláudia Farinha (PT); Antônio Guillen (PSTU) ao lado de Eduardo Zanata (PSTU); e Renan Rosa (PCO) e Gilson Dobbin (PCO).

Joe Valle decide sair da disputa

O deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), não estará nas urnas nestas eleições. Cotado para disputar vagas de senador ou de deputado federal, o parlamentar decidiu não se candidatar mais neste ano. Com raízes empresariais na agricultura orgânica, ele pretende focar na família e fazer uma “reciclagem política pessoal”. O movimento fragiliza o Partido Democrático Trabalhista no cenário político local.

“Não serei candidato nestas eleições. Decidi sair do processo eleitoral para cuidar mais da minha família. Há 12 anos, estou imerso na política. A gente precisa dar uma reciclagem. Voltar para as bases. Ir para o patamar do povo e voltar a ter o olhar do povo”, afirma Joe Valle.
O parlamentar também pretende voltar a atenção para o mundo da agricultura orgânica. Mesmo com a decisão, Valle permanecerá filiado no PDT.

Para o deputado, o futuro do partido está na educação e no trabalho. “O PDT precisa ficar em cima dessas questões. A educação é o único caminho para qualquer governo. O PDT deve eleger este tema como uma questão programática. A educação deve ser tão importante como o próprio oxigênio para a vida das pessoas”, conclui.

Fraga tem a bênção de Arruda

Com o compromisso de fortalecer a segurança, o deputado federal Alberto Fraga (DEM) firmou candidatura para o Palácio do Buriti com o apoio de José Roberto Arruda (PR) no palanque. Além da valorização do pessoal, ele também promete a racionalização dos recursos e equipamentos para as forças de segurança. Tendo também as bênçãos de Jofran Frejat (PR), a chapa buscará unir o campo liberal e conservador contra o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB).

Convenção do Democratas lança Alberto Fraga como candidato ao Buriti. Clube da Saúde. Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília.

“Aqui não tem pão com mortadela. Aqui é na base do amor, da amizade. Acho que todo mundo que está aqui veio porque acredita em uma mudança para a cidade. A cidade está sofrendo, nosso povo está sofrendo”, bradou Fraga. A coligação conta com DEM, PR, PSDB e DC. A convenção regional do Democratas afiançou a candidatura de Fraga. O ponto principal da campanha será a segurança pública. Neste sentido, o gatilho será a valorização do material humano.

Além de contar com o ex-governador na campanha, Fraga espera que Arruda participe de alguma forma em um eventual governo. “Se ele não tiver participação, pelo menos será um excelente conselheiro”, garantiu. Fraga promete ir até o final nesta candidatura.

Herança rorizista

Arruda considera que a candidatura de Fraga, cristalizada com a aliança com o PSDB de Izalci Lucas, é competitiva. “Nossa base histórica veio de Roriz e passou pelo meu governo. Essa base está muito ligada hoje ao que Fraga e Izalci representam. E também com tudo que Frejat construiu nestes últimos anos”, ponderou. Na avaliação do ex-governador, o ideal seria que os partidos liberais e conservadores estivessem unidos.

“Não podemos nos esquecer que todas têm um adversário comum. É o governo Rollemberg. Ele é o adversário da cidade. Ele é quem está destruindo a cidade. Nós queremos reconstruí-la”, comentou.

Ibaneis: “anti-Rollemberg”

Com um discurso inflamado de oposição, Ibaneis Rocha (MDB) entra na corrida eleitoral pelo Governo do Distrito Federal (GDF), após a convenção regional do partido confirmar seu nome como candidato majoritário. O postulante ao cargo de vice-governador será o presidente regional do Avante, Pacco Brito.

A coligação será formada por MDB, Avante, PP, PSL, PSC e PPL. No discurso de lançamento da candidatura, Ibaneis disparou diretamente contra o governo Rollemberg (PSB). “Brasília tem recursos. O que falta é governo”, destacou o candidato e ex-presidente regional da OAB.

Ibaneis prepara um campanha de guerra contra o Buriti, buscando o papel de “anti-Rollemberg”. Nas entrelinhas do discurso, o candidato sempre menciona o descontentamento da população, dos servidores e dos empresários sobre os rumos do atual governo.

Argumentando a necessidade de cumprimento da legislação, o candidato promete honrar com os reajustes pendentes dos servidores públicos do GDF. Ibaneis planeja buscar as categorias para dialogar e na sequência buscar recursos para destravar a recomposição da folha.

“O atual governador, inclusive, me convidou para ser vice dele. E eu disse que não iria. Não que ele seja uma má pessoa. Mas porque ele já demonstrou que não tem competência para administrar o DF”, alfineta.

Foto: Francisco Dutra

Do ponto de vista nacional, a chapa vai trabalhar com palanques múltiplos. O MDB apoia Henrique Meirelles (MDB) para o Planalto. Contudo, o PSL não abrirá mão de fortalecer a campanha brasiliense do deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSL).

PSD escolhe Rogério Rosso

Com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o deputado federal Rogério Rosso (PSD) foi oficialmente lançado para a disputa do Governo do Distrito Federal (GDF). A convenção do partido realizada em Ceilândia também confirmou a candidatura do pastor Egmar Tavares (PRB) para vice-governador.

Por enquanto, a coligação, também conhecida como Terceira Via ou Aliança Alternativa, conta com PSD, PRB, PPS, SD e Podemos. “Mas estamos conversando com mais partidos e esperamos aumentar nossa chapa”, afirma Rogério Rosso. O mote da campanha será o resgate do DF.

“O DF nunca esteve tão mal em geração de emprego, em prestação dos serviços públicos essenciais. Nós temos recursos do Fundo Constitucional, mas nossa segurança pública nunca esteve tão desestimulada. Então vamos fazer exatamente o contrário do que está sendo feito”, comenta, alfinetando a gestão Rollemberg (PSB).

Entre as bandeiras de campanha, Rosso destaca a valorização do servidor público de carreira e o desenvolvimento do setor produtivo. Para o candidato, é preciso compreender e fortalecer a simbiose entre o setor público e a inciativa privada. “E, no nosso governo, lugar de secretário não é em gabinete. É na rua, ouvindo e trabalhando junto com a população”, promete.

Kassab foi um personagem central para o lançamento da candidatura de Rosso. O cacique nacional abençoou a articulação para que o deputado federal deixasse a candidatura para o Senado Federal e assumisse a cabeça de chapa na Terceira Via. O movimento tirou o PSDB do grupo, levando os tucanos para a coligação com o DEM e o PR.

Candidato a uma das vagas para deputado federal, o atual vice-governador Renato Santana (PSD) comenta que a coligação ainda está aberta para outros aliados, inclusive o PDT.
“Nós só temos um veto. Aqui só não entra o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). E quem está vetando sou eu”, adiantou Santana.

General representa Bolsonaro

“Nunca entrei em competição para fazer figuração. O jogo já começou e estou jogando para ganhar”, afirmou o general Paulo Chagas (PRP). A frase foi disparada logo após o Partido Republicano Progressista validar a candidatura do militar da reserva novato na política. A chapa será puro sangue, tendo o presidente regional da agremiação Adalberto Monteiro como candidato ao posto de vice-governador. Liberal e de direita, Chagas tem a missão de construir um palanque com musculatura para o presidenciável, Jair Messias Bolsonaro (PSL).

Segundo Chagas, a campanha é para valer desde o primeiro dia em que começou a cogitar o comando do Palácio do Buriti. “Procurei o deputado Bolsonaro e ele disse que ia me apoiar desde o início”, explicou. O PRP esperou até a última hora por um nome de vice com origem no diretório regional do PSL. Na falta de uma proposta consistente, Chagas articulou a chapa pura, tendo Monteiro como companheiro de armas com identidade programática e entrosamento.

Candidato General Paulo Chagas fala sobre sua proposta de governo. Foto: Breno Esaki/Cedoc

Para conseguir o apoio do eleitorado, Chagas aposta na condição de nome novo na política. “Todos falam a mesma coisa, o mesmo discurso. A diferença é que eu sou a renovação. Todos do PRP são a renovação. Temos a convicção, a certeza, o comprometimento com o resultado. Não temos compromisso com a fortuna nem com a possibilidade de nos servirmos com a coisa pública. Quem fica rico no serviço público certamente é porque roubou. Porque o dinheiro é, ou pelo menos deveria ser, contado. Não sou mais do mesmo. Eu sou a nova política”, disparou.

A chapa majoritária de Chagas apoiará o pastor Fadi Faraj, do Ministério da Fé, para uma das vagas para o cargo de senador. A segunda candidatura ao Senado Federal ainda está em aberto. No campo proporcional, serão lançados 48 nomes para a Câmara Legislativa e 16 para a Câmara Federal.

Embate

Eliana Pedrosa entrou pessoalmente no jogo para manter o PDT ao do Pros. A candidata buscou a direção do partido, garantindo palanque para Ciro Gomes. Na negociação, o PDT ficaria com uma vaga para o Senado, tendo o filiado Fábio Barcellos como candidato.

Na composição atual, Rollemberg é tido como um personagem “sortudo”. O governador começou recuperando o apoio do PV, seguindo para a Rede. Na noite de sexta-feira, conseguiu o movimento emblemático de conquista do PCdoB. Afinal, o partido estava fechado com PDT, até a morte prematura da candidatura de Peniel Pacheco (PDT) para o GDF.

As demais chapas de esquerda não contam com o mesmo número de partidos. Por lado do espectro político, a campo conservador e liberal está retalhado em sete candidaturas. Ou seja, enquanto Rollemberg concentra os progressistas, a direita lutará por votos dividida.

O ponto de curva para a decisão do PDT, seja pelo PSB ou pelo Pros, será a oferta do melhor palanque para Ciro Gomes. Simples assim.

*A matéria foi atualizada às 13h09 para inclusão de candidatos do PCO

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado