A divisão da região administrativa de Planaltina não consta da agenda política do Palácio do Buriti. No decorrer das últimas semanas, o tema ganhou espaço no tabuleiro político local e também na comunidade da terra da Via-Sacra do Morro da Capelinha. A proposta de separação, acompanhada pela criação da região administrativa do Arapoanga, dividiu tanto a população quanto os distritais e especialistas em gestão.
Independentemente dos prós e contras da proposta, o governador Agnelo Queiroz descarta a possibilidade de novo desenho do mapa administrativo brasiliense. “Não temos ideia formada sobre isso. Não está nos nossos planos. Qualquer estudo sobre uma coisa dessas tem que levar em consideração as condições reais dos interesses da população. Por isso, esta pauta não está nos planos do Governo do Distrito Federal”, afirmou o governador.
Impactos
Com mais de 170 mil habitantes, Planaltina tornou-se uma das regiões administrativas mais populosas e um dos principais colégios eleitorais do DF. Pela proposta de desmembramento, o bairro Arapoanga se tornaria independente com direito a uma administração regional própria.
Segundo vozes políticas favoráveis à separação, a mudança garantiria melhor qualidade no serviço público e a valorização da região. Do outro lado do debate, a medida é criticada pois aumentaria o gasto da máquina pública com recursos que poderiam ser investidos diretamente na região.
A divisão também teria impacto político, pois criaria um espaço de influência eleitoral na saída Norte do DF, que inclui Sobradinho, Sobradinho II e Fercal. Segundo o presidente regional do PT, deputado federal Roberto Policarpo, a separação da região não é um bom caminho, seja politicamente ou administrativamente. “Para você incluir ou dividir espaços políticos não precisa criar novas administrações regionais”, resumiu.
Fortalecimento
No que se refere à gestão pública, o deputado defende o fortalecimento das administrações. “Hoje todas são muito dependentes da estrutura de governo, principalmente da Novacap. Acabam ficando reféns”, sentenciou.
Solução está no fortalecimento de Planaltina
O deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) teve uma votação expressiva na região da saída Norte do DF. Para o parlamentaro desmembramento de Planaltina serve apenas para atender interesses políticos e não renderá melhorias diretas para a população.
“O grande problema nas administrações regionais é a gestão. Hoje os administradores são meros office boys. Ficam à mercê dos deputados distritais. As obras são dirigidas pelos parlamentares e coitado do administrador se não seguir a cartilha”, declarou.
Os moradores de Planaltina cobram justamente uma gestão melhor. Whiteane Cedraz, de 31 anos, é moradora do Jardim Roriz e acha que a criação da nova região administrativa representará apenas mais gasto de dinheiro público. Arapoanga faz parte de Planaltina e deveria continuar assim, diz.
Já o eletricista Webelton Alves, de 29 anos, faz uma referência à existência de gangues na cidade. Morador do Buriti III, ele lembra que já existem rachas entre os moradores de cada área e, se o governo criar mais um elemento de divisão “pode dar guerra entre os bairros”.
Legitimidade
De acordo com o cientista político Valdir Pucci, da UDF , em vez da divisão, as administrações regionais precisam neste momento ser fortalecidas. E, para o especialista, é necessário garantir maior legitimidade popular aos administradores, hoje nomeados pelos governadores, mas indicados por políticos.
“A população tem que participar da gestão. A escolha do administrador poderia ser feita, por exemplo, mediante consulta de uma lista tríplice a ser composta em cada região, afirma.