Propostas de redivisão territorial caminham pelo Distrito Federal além dos limites de Planaltina, terra da Via-Sacra do Morro da Capelinha e alvo do primeiro desses projetos. Deputados trabalham na Câmara Legislativa e no Buriti por essas divisões no mapa político brasiliense. A discussão sobre desmembramento e criação de mais administrações regionais alcança, em tese, Ceilândia, Park Way, Recanto das Emas, Sobradinho e Paranoá.
Na edição de ontem, o Jornal de Brasília mostrou a discussão sobre a possibilidade de redesenhar os limites de Planaltina para emancipar o Arapoanga. Vai além disso.
Vida Nova
“O desmembramento pode dar vida nova para as regiões. Mas temos que ter mente que é preciso atender ao clamor da comunidade. Ceilândia também cresceu muito e deveria ser dividida. O Sol Nascente poderia se tornar independente”, comentou o deputado Washington Mesquita (PSD). A ideia é compartilhada pela deputada Luzia de Paula (PEN).
O distrital Agaciel Maia (PTC) defende novo mapeamento das administrações regionais. Segundo o parlamentar, Grande Colorado e Arniqueiras deveriam ter administrações próprias. “A criação da Fercal foi salutar para a região e está levando muitas obras para lá”, emenda Roney Nemer (PMDB). Liliane Roriz (PSD) diz que as divisões podem acelerar processos de regularização fundiária.
De acordo com o distrital Wellington Luiz (PPL), a divisão é um caminho natural para o Park Way em função das dimensões da região. O distrital Aylton Gomes (PR) também é a favor, mas faz uma ressalva: “As administrações precisam ter força e equipamentos públicos. Se não, estão brincando com os sentimentos da população”. O parlamentar Evandro Garla (PRB) julga que desmembramentos ajudam as regiões a captar mais recursos.
Redesenho não é unanimidade
“A criação de uma administração regional só burocratiza. O que precisamos é mais atenção nos interesses da população e investimentos nos locais”, diz o deputado Chico Leite (PT) a respeito da discussão sobre separações regionais. “Isso cria mais cargos e despesas. E pode resolver o problema dos cabos eleitorais”, alfinetou.
A deputada Eliana Pedrosa (PSD) avisa que é preciso um estudo detalhado antes de qualquer movimento de divisão. “É preciso planejamento. Do contrário, vamos ter mais despesas sem resultados. E depois que se divide não tem como voltar atrás pois isso mexe com a autoestima da população”, diz Eliana.
Excesso de gastos
Segundo Chico Vigilante, líder do PT, desmembramentos são desnecessários e a preocupação tem de ser com o fortalecimento dos mecanismos já existentes para atender a população. Israel Batista (PEN) acrescenta que o DF está se tornando inviável, pois os gastos com o Estado estão muito altos. Em vez de os recursos chegarem às atividades fim, ficam estancados nas atividades-meio da máquina pública.
“Meu medo que é a criação de uma poligonal virtual sirva de instrumento para a fuga do real debate. Criar administração não implica instalação de novas equipamentos públicos”, comentou o presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT).