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Política & Poder

Lula minimiza embate com Congresso e diz que não viverá ‘eterna briga’

O presidente se recusou a relatar os termos tratados no encontro que teve na noite de domingo (21) com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)

Redação Jornal de Brasília

23/04/2024 12h01

Foto: Evaristo Sá/ AFP

CATIA SEABRA, MARIANNA HOLANDA E RENATO MACHADO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente Lula (PT) disse nesta terça-feira (23) que seu governo não tem problemas de relacionamento com o Congresso Nacional, apesar da série de embates nos últimos dias, e afirmou que os episódios recentes são “coisas normais da política”.

“A gente não vai viver em uma eterna briga. Porque se você optar pela briga não aprova nada. O país é prejudicado, vamos conviver com todo mundo”, afirmou Lula.

O presidente se recusou a relatar os termos tratados no encontro que teve na noite de domingo (21) com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Relatou que se tratou apenas de uma “conversa” e não de uma “reunião”.

Lula participou na manhã desta terça-feira de um café da manhã com jornalistas que cobrem a Presidência da República, no Palácio do Planalto. O mandatário foi então questionado sobre a relação do governo e dele próprio com o presidente da Câmara.

“Eu sinceramente não acho que a gente tenha problema no Congresso. A gente tem situações que são as coisas normais da política. Vamos só lembrar um número. Nós temos 513 deputados e meu partido só tem 70. Nós temos 81 senadores e o meu partido só tem 9”, afirmou o presidente, comentando que seu governo não tem maioria no Congresso.

O presidente havia recebido Lira para uma conversa no Palácio da Alvorada na noite de domingo (21), em um evento fora da agenda de ambos. O encontro aconteceu após dias de turbulência entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.

Lula foi questionado sobre esse encontro, mas se recusou a revelar os assuntos que foram tratados. Disse que era apenas uma “conversa”. Se fosse uma reunião de trabalho, teria levado os seus líderes no Congresso Nacional

“Como é conversa entre dois seres humanos, eu peço a vocês que não sou obrigado a dizer a conversa que eu tive com Lira”, afirmou.

Desde que tomou posse, a relação entre o governo federal e Lira foi marcada por altos e baixos, com alguns momentos de distensão. No mais recente, em fevereiro, Lula recebeu ministros palacianos, o presidente da Câmara e líderes de bancada da Casa legislativa para um grande encontro no Palácio da Alvorada.

A crise mais recente teve início após a decisão da Câmara de manter a prisão do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Apontado como um dos derrotados durante o episódio, Lira disparou contra o Planalto, em particular contra Alexandre Padilha.

Em uma entrevista, o presidente da Câmara afirmou que Padilha era um “desafeto” e um “incompetente”, o que causou um mal-estar com o governo, agravando a crise entre os Poderes.

Lula reuniu ministros palacianos e líderes do governo na sexta (19), em um almoço de emergência no Palácio do Planalto. O encontro durou quase três horas.

Além da briga com Lira, o governo vive um momento delicado com o risco de avanço da pauta-bomba, que pode ter impacto bilionário para as contas públicas. O principal item é a PEC (proposta de emenda à Constituição) que turbina o salário de juízes e promotores, com custo anual de cerca de R$ 40 bilhões.

O café de Lula com jornalistas nesta terça é o primeiro deste ano.

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