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Economia

Cooperativa de crédito em MG tem suspeita de fraude em eleições

Denunciantes pedem o adiamento da próxima eleição, marcada para terça-feira (23), em pedido que já chegou aos Ministério Públicos Estadual (MPE-MG) e Federal (MPF), e este determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito.

Olavo David

22/06/2026 11h05

José Eustáquio de Vasconcellos em fotomontagem em cima de imagem de divulgação do Credicope. Foto: Montagem/Reprodução

José Eustáquio de Vasconcellos em fotomontagem em cima de imagem de divulgação do Credicope. Foto: Montagem/Reprodução

 A eleição para a composição da cúpula de uma Cooperativa de Crédito de Conselheiro Pena, no interior de Minas Gerais virou processo judicial no último fim de semana. Conforme a denúncia, já ajuizada, há fraude no processo de votação, realizada de forma semipresencial com auxílio de aplicativo, e pouca divulgação do pleito, o que compromete a participação de votantes alheios ao suposto esquema. Assim, de acordo com manifestações às quais o Jornal de Brasília teve acesso, a atual diretoria, comandada pelo presidente do Conselho de Administração, José Eustáquio de Vasconcellos, tem se perpetuado no comando da Sicoob Credicope. 

Os denunciantes pedem o adiamento da próxima eleição, marcada para terça-feira (23), em pedido que já chegou aos Ministério Públicos Estadual (MPE-MG) e Federal (MPF), e este determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito. As acusações dão conta de que a fraude na votação é feita por meio de celulares corporativos antigos logados em várias contas no aplicativo Sicoob Moob, onde são computados os votos. 

No momento em que seria recolhidos pela diretoria para troca dos aparelhos, os mais velhos supostamente são usados por gente de dentro para registrar mais votos na chapa da situação, já que nos aparelhos estariam cadastradas diversas contas de cooperados, sejam membros de uma mesma família ou de um grupo de amigos. Mensagens às quais a reportagem teve acesso mostram que um ex-funcionário da cooperativa, contratado pela direção, confessa que “cada celular desse vota três ou quatro”. Até o momento, foram identificados cerca de 200 celulares antigos, por meio dos quais teriam sido registrados votos de cooperados que, “se bater na porta deles, eles nem sabem que votaram”. 

As mensagens foram transcritas em atas notariais obtidas em 10 e 15 de junho em um cartório de Conselheiro Pena. De acordo com a denúncia, seriam usadas contas e dados cadastrais ligados a cooperados que não têm o hábito de usar os canais digitais – ou seja: que estão menos propensos a detectar acessos indevidos. Os denunciantes reforçam que não há divulgação da Assembleia Geral Eleitoral a ser realizada na terça, que está marcada para definir os ocupantes da direção para o mandato que vai deste ano até 2030. 

Outro indício de que há um sistema de fraudes nas eleições para a diretoria colegiada da Sicoob Credicope é a discrepância entre o número de votantes nas duas últimas eleições, realizadas em novembro de 2025 e março de 2026, com as outras. A partir do ano passado, houve redução de cooperados presentes na Assembleia Geral Eleitoral (AGE) e aumento superior a 400% no número de votos em relação a 2024, quando 238 votantes foram registrados. Em março, aumento ainda mais flagrante: 1329 votos no modelo híbrido, aumento de 558%. 

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Fonte: dados colhidos em atas de reuniões e na plataforma Sicoob Moob.

Alternativas ao modelo bancário

As cooperativas de crédito são soluções mais baratas e acessíveis de acesso a crédito para um grupo de pessoas, em geral ligadas aos setores produtivos em determinada região, comumente da agropecuária. A finalidade desse tipo de instituição é gerir aplicações financeiras sem necessariamente buscar o lucro unilateral, além de garantir o capital de giro necessário para gerir um negócio, sobretudo um escalonado em safras. Fundada nos anos 1980, a instituição de Conselheiro Pena tem hoje 19 agências físicas, incluindo pontos no Vale do Aço e na capital, Belo Horizonte, e uma digital. 

A reportagem tentou contato com José Eustáquio de Vasconcellos nos números ligados a ele na Receita Federal e também nas agências da Credicope, mas não conseguiu retorno. O JBr. também espera resposta do Sicoob, em âmbito nacional.

A Credicope encaminhou nota à reportagem na qual “reafirma seu compromisso inegociável com os princípios do cooperativismo, a transparência, a ética e o rigoroso cumprimento de seu Estatuto Social”. Também pontua que “o processo eleitoral em curso está sendo conduzido em estrita conformidade com as normas estatutárias e os procedimentos de governança estabelecidos”, observando critérios de segurança, rastreabilidade, legitimidade e ampla participação do quadro social”, e que “são infundadas as alegações acerca da suposta utilização irregular de aparelhos celulares, captação indevida de votos ou qualquer prática incompatível com a lisura do processo eleitoral”. “A participação no processo eleitoral é restrita aos cooperados habilitados, observados os requisitos previstos no Estatuto Social e nos normativos vigentes, garantindo que somente associados aptos exerçam seu direito de voto.”.

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