Francisco Dutra
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A instabilidade política gerada pelas facilidades de abertura de novos partidos vem tirando o sono das legendas tradicionais. O consequente troca-troca de políticos, aproveitando as brechas jurídicas abertas na criação de novas siglas, preocupa lideranças de partidos consolidados. Todos estão de braços abertos para receber nomes “saltadores”, mas, na hora de avaliar as próprias siglas, ninguém quer pensar em perder filiados com capacidade de acumular votos.
Com cinco mandatos cumpridos pelo PMDB, o presidente regional do partido, vice-governador Tadeu Filippelli, se considera uma pessoa com profundo apego à legenda. Ele não esconde o olhar de incômodo e até mesmo de susto em certas situações. Preocupado com a facilidade para a montagem das novas siglas, o líder partidário afirma que é praticamente impossível acreditar que todas as vertentes político-ideológicas e segmentos sociais já não estejam representados no elenco de partidos existentes.
“Como você faz para evoluir com a política nacional, se você veda em a pessoa sair de um partido de ir para outro, por questões de conflitos ideológicos ou partidários, mas permite que novos partidos sejam fundados e mais do que isso: com portabilidade de votos, para receber fundo partidário e tempo de televisão? Isso é um conflito”, ponderou.
Oportunismo
Na oposição, o presidente regional do PPS, Chico Andrade, faz críticas semelhantes: “No próprio PSD, a gente pode dizer que foi muito mais um ‘ajuntamento’ de pessoas em torno da figura primeira do ainda atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Apesar de ser legítima, nós não consideramos saudável essa forma de fazer política”. Andrade afirma que é defensor da tese de que para se fundar um partido é preciso ter como princípio básico um projeto. “Para não dizer que tenha que ter um quesito ideológico muito forte”, enfatizou.
Andrade não tem pudores em dizer que essas siglas nascem por oportunismo, e “de olho no dinheiro do fundo partidário”. “Não tenho o menor medo de dizer isso”, enfatiza.