Rudolfo Lago
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Diante de um plenário quase vazio, como previsível na quinta-feira que sucede ao Carnaval, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) foi à tribuna do Senado cumprir uma missão a ele conferida pelo governador de Pernambuco e líder máximo de seu partido, Eduardo Campos.
Líder do PSB, Rodrigo foi desautorizar as notícias que dão como certa a oficialização próxima de Eduardo Campos como candidato a presidente em 2014. “O governador Eduardo Campos tem repetido insistentemente: 2014 é para ser discutido em 2014. A antecipação do debate eleitoral não interessa ao País”.
O discurso de Rodrigo acontece alguns dias depois de serem publicadas notícias de que Eduardo Campos se reuniria em breve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe comunicar a decisão de disputar a Presidência com Dilma Rousseff em 2014. Desde o início do ano, Lula tem articulado para que ocorra uma mudança na chapa de Dilma nas próximas eleições: no plano de Lula, sairia do cargo o vice-presidente Michel Temer e em seu lugar entraria Eduardo. Em troca, o PT abriria mão de disputar o governo de São Paulo, apoiando para o cargo um candidato peemedebista. A jogada visa tirar Eduardo Campos do páreo presidencial.
Segundo as notícias, Eduardo Campos iria até Lula para recusar sua proposta e dizer que será, sim, candidato à sucessão de Dilma. De acordo com Rodrigo, porém, tal conversa não deverá acontecer, pelo menos por enquanto. “É natural que o PSB queira ter um candidato próprio à Presidência, e Eduardo Campos tem todas as condições para exercer esse papel. Mas tudo tem seu tempo. Não é hora ainda de se discutir isso”, disse ele.
Estratégia divide
Na verdade, o que acontece hoje no PSB é uma falta de unidade entre seus líderes quanto à estratégia ideal para o lançamento da candidatura de Eduardo Campos. As informações que aceleram o lançamento da candidatura do governador de Pernambuco têm sido lançadas pelo líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), e a primeira vez em que ele falou abertamente sobre o tema foi justamente ao Jornal de Brasília, em entrevista exclusiva publicada no início de dezembro do ano passado.
Um jogo de estica-e-puxa
É o próprio Eduardo Campos quem autoriza esse jogo de estica-e-puxa, avisa uma fonte do PSB. Com ele, garante a sua exposição frequente no debate político, mas, sem oficializar a candidatura, evita expor-se desnecessariamente muito antes do momento da eleição.
O governador de Pernambuco precisava esfriar as articulações de Lula. Primeiro, porque não acredita que o PMDB aceitaria sem reação perder para ele a Vice-Presidência da República. Segundo, porque de fato aspira mesmo ocupar a sala principal do terceiro andar do Palácio do Planalto. Daí, as notícias de que diria a Lula que será mesmo candidato. Agora, recua para evitar a exposição precoce.
Mesmo o discurso feito por Rodrigo Rollemberg para dizer que o debate eleitoral precisa ser adiado não é dos mais confortáveis para o governo. “O ano de 2013 não será um ano fácil, e a presidente Dilma precisará da nossa ajuda”, explica Rodrigo.
Contraponto
O senador fez, assim, um contraponto ao líder na Câmara, Beto Albuquerque, que antecipou a candidatura. Repetindo o que fala o próprio Eduardo publicamente sobre o tema, Rodrigo retarda o processo.