As falhas no prédio da Câmara Legislativa atrapalham o expediente de servidores e deputados. No gabinete da líder de governo, Arlete Sampaio (PT), os vazamentos de água oferecem, inclusive, risco de curto-circuito. Aconselhada por um técnico, a deputada foi até a tribuna, na tarde de ontem, cobrar respostas da Mesa Diretora quanto à garantia da obra e soluções para os diversos problemas na sede do Poder Legislativo.
“É preciso que a Mesa faça um levantamento dos problemas, faça um esforço para isso, pois creio que ainda dá para acionar a empresa responsável pela obra, para que possa corrigir o que está errado”, reclamou a distrital.
Arlete explicou que, quando chove, o gabinete fica alagado e a água, que entra embaixo do piso flutuante, fica em contato com os fios elétricos. Além disso, a petista criticou a falta de controle dos aparelhos de ar-condicionado e das luzes da Câmara. “Não tem como regular o ar-condicionado e assim temos que suportar o frio de mais ou de menos, já as luzes ficam o tempo todo acesas”, criticou.
Prédio novo
O prédio da Câmara tem dois anos e sete meses de uso, no entanto, estes e outros problemas, como mostrou o Jornal de Brasília na edição de sábado, existem desde a inauguração. Os vazamentos, assim como as infiltrações, as rachaduras e os descolamentos das placas de gesso do teto têm se agravado, principalmente por conta das chuvas.
Na última semana, durante reunião da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof), o teto da sala quase despencou. O forro estava solto da estrutura de metal e quem estava no local precisou trocar de sala.
A reportagem percorreu o prédio da Câmara e também encontrou pisos dos andares soltos, vazamento de água na torneira dos banheiros. Servidores relataram que problemas também são constantes nos elevadores e na rede elétrica.
Guerra com a construtora
A 2ª Secretaria, que é a responsável pelo funcionamento do prédio, afirmou que está tentando resolver os problemas. Uma equipe da Câmara está responsável por apresentar um relatório detalhado das falhas existentes e, segundo o secretário, Israel Batista (PEN), a Casa terá de estudar se abrirá processo judicial contra a construtora responsável ou se resolverá a questão da responsabilidade administrativa da obra. “Vamos encontrar o melhor caminho para resolver”, afirmou.
Até hoje, o prédio não foi inteiramente recebido. Ainda não existe documentação oficial que desvincule a obra da construtora. A gestão passada não resolveu o impasse com a empresa, alegando que o prédio não estava em conformidade com o projeto básico e, por falta de itens previstos na obra, a certidão de “recebido” não foi emitida.
Litígio
No entanto, segundo Israel, a empresa não reconhece as falhas e pede R$ 2,5 milhões a pagar. “Entendemos que a Casa não tem que pagar”, defendeu o deputado.
No ano passado, a Mesa Diretora chegou a fazer um levantamento das falhas, mas nada foi resolvido por conta da indefinição quanto à garantia da obra. “O contrato tem um litígio, então há uma dúvida sobre se está ou não na garantia. Resolver isso será uma das prioridades”, declarou o presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT).
O petista disse ainda que uma das soluções estudadas é a abertura de licitação para manutenção do prédio. “Temos muitos problemas. Teremos que fazer uma intervenção no terreno entre o Tribunal Regional Eleitoral e a Câmara para canalização de águas pluviais”, adiantou.