Francisco Dutra
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Os pré-aspirantes ao Governo do Distrito Federal travam uma batalha silenciosa pela formação das mais competitivas pré-chapas proporcionais para a Câmara dos Deputados. Afinal de contas, a eleição de pelo menos um deputado federal é a prioridade zero da maioria dos partidos. Neste sentido, ganha apoio a pré-candidatura majoritária com melhores condições de proporcionar chances do aliado emplacar um novo parlamentar.
Na média, as pré-coligações em campo calculam a necessidade de uma composição com fôlego de 160 mil a 180 mil para eleger deputado um federal. O grupo capaz de captar 270 mil tem condições de eleger o segundo parlamentar. A partir desse ponto, o cenário complica para a eleição de um terceiro na mesma pré-chapa, pois seriam necessários 360 mil votos. Pelas projeções dos estrategistas essa é uma tarefa árdua. Valeria mais a pena lançar uma segunda chapa.
Exemplo claro deste embate é o caso do Patriota. Na última sexta-feira (29), o partido deixou a Aliança Alternativa, composta por PSDB, PPS, PSD, PRB e outras siglas, justamente pela indefinição da estratégia proporcional do grupo. A agremiação migrou para o bloco liderado pela pré-candidata ao governo Eliana Pedrosa (Pros) e pelo pré-candidato à vice Alírio Neto. Segundo o presidente regional do Patriota, Paulo Fernando, o grupo deverá lançar duas chapas proporcionais para a Câmara. Uma com o Pros e outra com PTB, Patriota, PMN e PTC.
Suplente, Paulo Fernando teve 27.444 votos em 2014. Para superar a fronteira da clásula de barreira partidária, o Patriota precisa eleger ao menos nove deputados federais nestas eleições. “A proposta me agrada por ser mais equânime. O suplente nem o vento bate à porta. Não quero ser suplente de novo”, comenta. Segundo Eliana Pedrosa, o bloco poderá abrir uma terceira pré-chapa para acomodar aliados.
A perda do Patriota gerou uma nova onda de instabilidade na Aliança Alternativa. O grupo realizou uma série de reuniões nos últimos dias para estancar a sangria. Segundo o pré-candidato ao Palácio do Buriti pelo grupo, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB), a questão foi resolvida com a definição do princípio da coligação. “Faremos um chapão. Com isso elegeremos dois federais com facilidade. Conforme novos aliados vierem poderemos abrir uma nova”, explicou.
A eleição de um federal é indiscutível para o PSD e o PRB. Mas o grupo flerta com a vinda do Solidariedade. Se os três ficarem na mesma chapa, um corre o risco de não se eleger. Em duas, os horizontes se abrem. Apesar das conversas pelos bastidores, o Solidariedade ainda não definiu com quem coligará.
Concorrentes buscam a conta atrativa
As coligações de Jofran Frejat (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB) enfrentam a indefinição das pré-chapas proporcionais de formas diferentes. Com um excesso de nomes com grandes históricos de votações nas eleições passadas, o grupo do republicano ainda não definiu se fará um chapão ou chapas múltiplas. No caso de Rollemberg, a ausência do apoio mínimo fragiliza até mesmo as pré-candidaturas já postas.
No campo de Frejat, caciques estrategistas estão esquentando a cabeça em busca da projeção mais confiável. Um ponto inquietante é a previsão da presença esmagadora de votos brancos e nulos nestas eleições. Por enquanto, a tendência do grupo será a aposta em um chapão. Especialmente porque a frente ainda está de portas abertas, mas já não espera mais uma grande quantidade de novas adesões partidárias.
No caso de Rollemberg, a conquista de um partido de médio de grande porte para equilibrar a nominata é crucial. Até agora apenas o PV selou oficialmente aliança, enquanto a Rede tende a ingressar. Mesmo assim, é pouco para a composição de uma chapa balanceada.
Saiba mais
– A chapa do Pros tem como destaques Joaquim Roriz Neto e o senador Hélio José.
– O grupo de Frejat prevê que a esposa do ex-governador José Roberto Arruda, Flavia Arruda, terá uma votação expressiva.
– No cenário atual, a volta do apoio do PDT seria um milagre para o projeto proporcional de Rollemberg.
– Coligações não são prioridades para os pré-candidatos ao GDF general Paulo Chagas (PRP), Alexandre Guerra (Novo) e Fátima Sousa (PSOL).
– O PT pretende disputar o GDF, mas ainda não definiu o pré-candidato.