Eric Zambon
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As Assembleias de Deus no Brasil enfrentam semana decisiva no campo político. Enquanto o pastor Marco Feliciano, pressionado interna e externamente por declarações racistas e homofóbicas, condicionou sua saída da comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) à renúncia de deputados do PT que atuam na Comissão de Justiça, as eleições presidenciais da instituição religiosa serão finalizadas até sábado.
Para definir o vencedor do pleito, foi promovida a 41ª Assembleia Geral Ordinária (AGO), que reune, desde segunda-feira (8), em Brasília, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade Sarah Kubitschek, representantes de igrejas de todo Brasil. A organização do evento estima que, ao longo da semana, pelo menos 22 mil pastores, também chamados de ministros do evangelho, cheguem à capital e participem da votação, atualmente dividida entre dois candidatos.
Pela chapa 2, pastor José Wellington, que já está há quase 30 anos no cargo, tentará nova reeleição. Ele enfrenta acusações de corrupção administrativa para perpetuar sua permanência como presidente. O opositor Samuel Câmara, da chapa 3 é presidente da emissora evangélica Boas Novas, que cobra R$ 14 milhões do bispo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, referentes a honorários de televisão não pagos. Câmara tenta derrubar o adversário utilizando-se do lema “É hora de avançar”.
Convidado ilustre na sessão desta terça-feira, que discutiu questões como a prestação de contas da Assembleia e o aumento de participação no cenário político brasileiro, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) falou por poucos minutos, mas reafirmou posições que o tornaram alvo de críticas recentemente. Entre elas, a difamação de homossexuais. O deputado associou a “diversidade sexual” à pedofilia e se justificou dizendo que apenas defende valores familiares.
Na saída do evento, ele não respondeu a perguntas e limitou-se a dizer “Que Deus abençoe a todos” aos repórteres antes de entrar, cercado por seguranças, em seu carro.
O evento
A 41ª AGO faz parte da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e teve presenças ilustres durante a abertura, nesta segunda. Além do governador do DF Agnelo Queiroz e da senadora Marina Silva, os Dragões da Independência e a banda do Exército tocaram na cerimônia, que ainda teve dois astros da música evangélica, Victorino Silva e Lília Paz, cantando alguns sucessos para cerca de 10 mil pessoas.
A entrada à área próxima da mesa diretora, dentro do Pavilhão, é restrita a homens que tenham se registrado como pastores e retirado credenciais, mas no ambiente separado por catracas há um grande estande da editora CPAD aberta ao público em geral. Todos os títulos disponibilizados no Brasil e alguns importados estão à venda durante toda a semana, além de CD’s e DVD’s de artistas gospel. A maioria dos livros é destinado a jovens e a mães, com dicas de conduta a serem seguidas para uma “vida feliz”.
Para ministros sem condições de se hospedar nos hotéis da capital foram montadas grandes tendas, dispostas ao lado do Pavilhão, com beliches e colchões reservados aos participantes da AGO. Um pequeno comércio também foi instalado, com venda de alimentos e até ternos, traje mais recorrente entre os pastores. Segundo uma funcionária, que não quis ter seu nome publicado, da emissora Boas Novas, todo o evento foi custeado pelas próprias Assembleias.