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Política & Poder

Ex-marido de Dilma no jogo da sucessão

Arquivo Geral

09/12/2012 16h32

Rudolfo Lago

redacao@jornaldebrasilia.com.br


Ex-marido da presidente Dilma Rousseff, o advogado Carlos Araújo é o pivô de uma ferrenha briga interna no PDT. Com o aval da própria Dilma, Araújo, aos 74 anos, prepara-se para voltar à política e ao partido fundado por Leonel Brizola, com o propósito de destronar do comando da legenda o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi.

O plano é compartilhado pelos netos de Brizola – o atual ministro do Trabalho, Brizola Neto, e a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul, Juliana Brizola. Brizola Neto e Juliana são irmãos gêmeos na vida real e na política. Araújo foi um dos fundadores do PDT e já foi deputado federal pela legenda. Deixou o partido em 2000, por divergências com o ex-governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares. 

O plano é que o ex-marido de Dilma filie-se à legenda para ajudar a fazer com que o comando do PDT passe para as mãos dos netos de Brizola. Assim, Dilma teria próximo ao  comando pedetista alguém de sua máxima confiança – embora separados, os dois ainda mantêm uma grande amizade; Araújo é o principal confidente político da presidente. E tiraria dali Lupi, com quem ela não convive bem desde o episódio da sua demissão do Ministério do Trabalho.

 

Saúde frágil

 

Carlos Araújo confirmou seus planos de voltar à política, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília. “Quero ajudar os netos de Brizola, para que eles ocupem os lugares que merecem no comando do PDT”, disse Araújo. “Minha intenção é me filiar ao partido em fevereiro ou março do ano que vem”. As conversas nesse sentido com Brizola Neto estão adiantadas. Na semana passada, o ministro esteve com o advogado em Porto Alegre. Araújo, porém, enfrenta dois problemas para concretizar seus planos: a saúde frágil e a feroz resistência de Lupi, que hoje ainda detém ampla maioria na direção do PDT.

Araújo sofre com um enfisema pulmonar. Em setembro, chegou a ficar internado, e Dilma adiou compromissos de governo para visitá-lo, ao lado da filha de ambos, Paula, e do neto, Gabriel. “De fato, esse é meu principal impedimento. Mas estou me recuperando e acredito que estarei melhor  para voltar após fevereiro”, acredita. 

 

Biografia serve como trunfo


Carlos Araújo para enfrentar Carlos Lupi

O PDT é hoje um partido dividido. Tem um ministro, Brizola Neto, mas quem controla a legenda é um ex-ministro, Carlos Lupi, ainda seu presidente. Sim, aquele mesmo Carlos Lupi que, na Câmara, disparou o famoso “Dilma eu te amo” e mesmo assim foi apeado da pasta. Lupi é simpático à candidatura própria do PDT ao Planalto, muito possivelmente com o senador Cristovam Buarque. Carlos Araújo pode levar o Sul, decisivo, para a coluna de Brizola.


Carlos Araújo


1  – Carlos Araújo foi casado com a presidente  Dilma Rousseff de 1969 a 2000. Tem com ela uma filha, a procuradora do trabalho Paula, de 37 anos, e um neto, Gabriel, de dois anos.

 

2 –  Por ser um dos fundadores do PDT, Araújo tem  grande influência na seção gaúcha,  fortíssima no partido. Disputou duas eleições majoritárias e conserva seu prestígio.  Ele foi um dos deputados mais votados na década de 1980 . 

 

3 – Araújo participou da Juventude Comunista na adolescência, integrou o comando de uma organização armada contra a ditadura militar, sobreviveu à tortura, passou quase quatro anos como preso político e exerceu três mandatos pelo PDT na Assembleia do Rio Grande do Sul.

 

Ala de Lupi se exaspera


O plano de filiação de Carlos Araújo ao PDT exaspera os pedetistas da ala ligada a Carlos Lupi. “Não há a menor possibilidade de ele voltar”, fulmina o líder do partido na Câmara, André Figueiredo (PDT-CE). “A sua filiação teria de ser chancelada pela direção nacional do PDT, e não há a menor hipótese disso acontecer”. 

 “Pretendo retornar ao PDT. E vou usar de todos os recursos legais possíveis para fazer valer o meu direito”, avisa Carlos Araújo.

 Ele, porém, rechaça a tese de que sua presença no partido seria uma forma de aumentar a influência de Dilma sobre o partido. “O PDT já está na base do governo. Por que Dilma precisaria de mim lá? A razão da minha volta à política é outra”, afirma. 

Carlos Araújo foi um dos fundadores do PDT.  Suas divergências começaram em 1988, quando o PDT começou a perder espaço para o PT no Rio Grande do Sul. Em 2000, ele preferiu apoiar a candidatura de Tarso Genro, do PT, à prefeitura de Porto Alegre, em detrimento de Alceu Collares, do PDT, fato que culminou com sua saída do partido.  

Já Carlos Lupi é alguém que ascendeu no PDT graças à sua amizade com Leonel Brizola. Carioca, Lupi era jornaleiro no Rio, e ficou amigo do ex-líder pedetista quando ele governava o estado. Tornou-se, então, uma espécie de braço-direito de Brizola. Quando Brizola morreu em 2004, Lupi assumiu o comando do partido. Acabou se tornando ministro do Trabalho no governo Lula. Eleita, Dilma o manteve no cargo, até surgir uma denúncia de cobrança de propina de ONGs contratadas pelo ministério para cursos de capacitação de trabalhadores. Lupi pediu demissão da pasta  no final de 2011.

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