Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), usou o tempo destinado à sua exposição inicial à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira para pedir provas de seu envolvimento com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira.
Ele entregou um documento à comissão abrindo mão dos sigilos fiscal, bancário e telefônico seus e de seus filhos, já que foi acusado de usar um dos filhos como laranja. Monteiro apresentou também uma declaração da Serasa com o demonstrativo das dívidas contraídas por seus filhos para a construção de um conjunto habitacional mostrado em reportagens como incompatíveis com a renda deles.
Rádio
Monteiro afirmou que, em abril, foi surpreendido por um jornalista com uma pergunta sobre um rádio que havia recebido e que seria utilizado para comunicação com determinado grupo (referência ao aparelho Nextel distribuído por Cachoeira a amigos).
“Desde então tenho perguntado reiteradas vezes e pergunto até hoje: onde está o rádio? Onde está a gravação de conversa feita com esse rádio?”, perguntou.
Monteiro pediu outras provas de seu envolvimento: “Qual foi a licitação que eu interferi, se não sou ordenador de despesas? Qual o tráfico de influência que fiz? Cadê a propina? Cadê a prova de mesada?”.
Segundo ele, “essas perguntas estão sem resposta até hoje”, e ele precisa dessas respostas, assim como precisa de oxigênio.
Monteiro se comparou a um boneco de ventríloquo. “Eu atendi todos os telefonemas e levei todos os recados: o governador precisa fazer isso e aquilo, cumprir esse e aquele compromisso de campanha. Entreguei ao governador todos os recados que recebi. Agora, não detenho a condição de fazer que o governador atenda esses recados. Não é possível transferir para mim a responsabilidade pelo não atendimento”.
Agnelo
Monteiro afirmou também que foi fácil para Agnelo ganhar a eleição, mas tem sido difícil governar, pois fez uma ruptura completa com os métodos e comportamentos que predominavam no Distrito Federal. “Predominava a cultura de se aproveitar do bem público de forma privada. O governo rompeu com isso. Não rouba, não deixa roubar e apura todas as denúncias. Por isso, tem colecionado inimigos”, disse.
“A prática de criar dificuldades para vender facilidades foi abolida no Distrito Federal. Aqui, a legalidade reina”, afirmou.
Começa agora a fase de perguntas do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG).