Eric Zambon, Francisco Dutra, Jorge Eduardo Antunes e Valdir Borges
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O PT está no horizonte de possíveis aliados do pré-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) Peniel Pacheco (PDT). No patamar nacional, o pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, busca o apoio do PSB. Para isso, uma exigência do Partido Socialista Brasileiro é o apoio pedetista no Distrito Federal. Segundo Peniel, as portas estão abertas para aliados, mas o projeto de composição com o governador e pretendente à reeleição Rodrigo Rollemberg (PSB) não está mesa de debate. Pelo menos não no primeiro turno das eleições. E, nas palavras de Peniel, o diretório regional tem fôlego para frear uma eventual imposição da executiva nacional. No caso de um eventual governo, o pré-candidato prepara um programa para reforçar a educação pública incluindo a implantação das escolas em tempo integral. E pelo, menos na promessa, Pacheco planeja uma relação com a Câmara Legislativa livre do “tomá lá dá cá”.
O senhor foi empurrado para a eleição. É para valer mesmo?
É bem verdade que eu não estava pretendendo ser candidato majoritário, mas essa condição foi colocada considerando o cenário político do momento e mesmo a estatura do próprio PDT. Que é um partido que tem méritos para poder ter candidato próprio. Prova disso é que o Joe era o candidato inicial, ele não foi empurrado. As conversas não evoluíram da forma como se esperava e ficou um vazio. Esse vazio não era bom para o PDT. Não só do ponto de vista de campanha, mas no plano federal e nacional, que também têm que ser consideradas, a estratégia não é apenas regional, tem todo um cenário que precisa ser avaliado. E nesse caso, entendeu-se que o DF precisava ter presença do PDT no debate, como forma de enriquecer a discussão de um projeto para a cidade. Então eu fui desafiado, não empurrado.
Ciro busca coligação com o PSB. Sua pré-candidatura não tem prazo de validade vinculada ao plano nacional?
É lógico que uma candidatura nacional tem prioridade nas discussões e na estratégia do partido. Mas há também uma história local que precisa ser considerada. E acredito que isso não será desmerecido. Nós sabemos que, no âmbito do DF, o governador Rollemberg recebeu o apoio do PDT que foi decisivo para a eleição dele na eleição passada. Como é que foi a relação? A relação não foi boa. Foi uma relação conflituosa e sem respeitar o conteúdo programático que havia sido acordado. Fica difícil para um partido ajudar uma candidatura e depois não ter parte na elaboração, mais do isso, na execução de um projeto de governo. Isso foi distanciando o PDT do governo Rollemberg e chegou ao estágio que está hoje. Então não é uma coisa tão simples dizer que por causa da decisão nacional a local vai assim, como se nada tivesse acontecido nesse espaço de 4 anos. É por causa disso que o PDT precisa ocupar esse espaço, marcar presença, para mostrar que nós não estamos aqui só para ajudar a eleger governadores. Estamos também para mostrar para a cidade, que quando nós ajudamos a eleger nós também temos projeto de governo. Se esse projeto não é cumprido com os outros, é nossa vez de mostrar que nós podemos fazer.
O diretório regional tem força para segurar uma imposição nacional?
Tem. Não é mudar lá. Teria que mudar a decisão daqui. Que já ocorreu, e com o aval da nacional. Com certeza a executiva nacional está respeitando o cenário local. Isso já foi claramente demonstrado. É de conhecimento da executiva nacional. A executiva local tem trabalhado esse tema. Nós não queremos ser obstáculos para uma aliança nacional, mas também não queremos que o PDT de Brasília se torne refém de qualquer sigla ou de qualquer candidatura.
O eleitor quer renovação da política. Mas o seu nome não é tradicional?
Quando você vai fazer uma reforma em uma casa, você não derruba a casa toda. Não tem jeito de você achar que vai reconstruir a política brasileira destruindo tudo. Não existe isso. Aquelas contribuições que foram positivas, aquelas ideias que foram importantes para o país, elas precisam ser mantidas. Nós não perdemos um link com a nossa história, não. O País tem uma longa história de construção política. E ela não vai ser colocada, de repente, em um latão de lixo. Então nós temos que reconstruir o Brasil, reconstruir o processo político, utilizando aquilo que é correto, que é certo. Nós temos gente íntegra na política. Parece que não, mas tem. Porque foco é sempre mais para o lado negativo. Essas ideias, projetos, pessoas que de alguma forma contribuíram para construir a política, independentemente do nível que ela está agora, porque isso não é culpa de todos, essas pessoas não podem ser esquecidas e nem tão pouco nós podemos ignorar que a nossa história nos trouxe até aqui. A nossa história a partir de agora vai nos levar a lugares melhores ou piores. Eu espero que sejam melhores.
Como a política pode ser oxigenada? Com novos na Câmara? A gente pode citar Leila Barros (PSB) e Tiago Jarjour (PSB) como promessas?
Acho que a oxigenação virá de várias fontes. Primeiro com pessoas que estejam mais antenadas com os tempos modernos. A velha prática política ela é nefasta. A política do coronelismo, do personalismo. Eu fui deputado, mas nunca fui personalista. Meu nome não é visto como uma liderança impositiva. Eu nunca trabalhei isso, porque acho que é um modelo arcaico de fazer política. Essa é a verdade. Então, acho nós precisamos de trabalhar muito mais conceitos, ideias, pensamentos, ideologias, programas, ações. Antigamente, a sociedade via as respostas nas pessoas. Mas nem sempre a resposta está na pessoa. Está no que ela pensa e no que ela é capaz de realizar.
Mas são nomes do PSB. O PDT não tem nomes?
Nós temos os nossos nomes, com certeza. O PDT tem uma nominata completa para deputado distrital e tem bons nomes para deputado federal. E nós temos o Joe Valle, o presidente da Câmara, como candidato ao Senado. E o Joe Valle não é a velha política. Ele sempre trabalhou um conceito de renovação no processo político. Então isso se encaixa naquilo que comentei agora há pouco. Nós temos que reconstruir a política.
Mesmo nomes do partido do governador?
Não podemos personalizar. A política do “a favor” e do “contra” pode até servir para o processo eleitoral. Mas na hora de realizar, nós precisamos de uma política de busca de soluções. Aonde a solução puder ser compartilhada ou participação positiva ou propositiva nós temos que nos encontrar e fazer com que aconteça. Vou dar um exemplo, no Brasil algumas obras são iniciadas em determinado governo e quando ele perde a eleição aquilo tudo para. É dinheiro público desperdiçado. A sociedade sofrendo por causa da solução de continuidade de projeto que seria de interesse da comunidade. Por que? Por vaidade? Porque não quero por a azeitona na empadinha do outro? Não é justo. O País não pode viver essa realidade. Nós estamos pensando a política muito mais nos resultados que a política pode produzir, do que nos nomes que podem se perpetuar como lideranças políticas, caciques políticos ou coronéis políticos.
Educação?
A educação é a base da construção cidadania. E é no investimento na educação que nós vamos promover as grandes mudanças, tanto do ponto vista política, quanto social. É inaceitável que uma cidade e uma capital como Brasília tenha escolas muitas vezes mal aparelhadas, os professores desestimulados, muitas vezes a violência no ambiente escolar é elevadíssima, muitas vezes com agressões de professores em sala de aula, quando não agressões contra os alunos. É preciso promover uma revolução pela educação. Não temos condições de ter no DF em algumas escolas o que seria excelência no processo educativo e outras escolas o abandono. É do nosso propósito olhar com carinho e atenção os professores nas suas demandas, necessidades, equipar as escolas de maneira adequada e mais do que isso, ampliar a presença da educação em todos os setores da sociedade. Tem muitas áreas da própria secretaria de Educação que estão ociosas. Tudo isso precisa ser revertido para atender a nossa comunidade no processo educativo.
Educação em tempo integral?
Com toda certeza. A educação integral é o caminho necessário para resolver problema da educação no país. É fácil? Não. Como é que a gente vai obter recursos para manter um aluno o dia inteiro na escola? No primeiro momento, talvez não seja possível implementar a educação integral até como forma de marcar presença ou dizer que está fazendo. Tem que fazer de maneira séria. Então nós temos que desenvolver um projeto piloto. Esse projeto tem que ser detalhado tecnicamente e tem que ter vontade política para executá-lo. Além disso, nós precisamos desenvolver ações de integração entre a sociedade, a comunidade local e a escola. A escola pode ser polo de atração para os alunos fora do turno de aulas, tendo ali aparelhos, equipamentos, estrutura para aquele aluno goste de ir para a escola. Porque hoje ir para escola é muito mais uma obrigação. Então tornar o ambiente escolar mais agradável, mais atrativo. E fazer com que a comunidade faça parte do processo educativo. Tem uma lei de minha autoria na Câmara que abre as escolas nos fins de semana para a comunidade escolar. As escolas ficavam trancadas, como aparelhos públicos importantes e, não podiam ser utilizadas. Isso começou a ser feito de maneira acanhada. É preciso ampliar isso. Quando a comunidade sentir que a escola é o ambiente dela, é lugar onde ela pode realizar determinadas ações, entretenimento, a escola se tornará mais atrativa. Isso será fundamental para melhorar o desempenho tanto dos professores, quanto dos alunos. Dando índices de melhores, evitando a evasão escolar e dando melhores condições de um aluno se sentir parte daquilo tudo e gostar de estar ali.
Aliança com Frejat?
Eu acredito que política se faz com a construção de um dialogo sério e responsável. No caso da conversa que foi desenvolvida, nos entendimentos que foram trabalhados, isso foi acordado no sentido de viabilizar uma candidatura ao Senado mas desde que aquela chapa pudesse ter o mínimo de identidade com as propostas do PDT. Infelizmente, foi meio que encorpado aquele projeto, de modo que tem pouco espaço. Até para quem está nele. Principalmente para o candidato ao GDF, porque tem tanta gente procurando espaço. Então acho que não cabe mais o PDT. Não é nem por nós. Principalmente, também, porque eles mesmos têm as dificuldades. Essa discussão, na minha avaliação está vencida. Eu, Joe e o presidente regional do partido, Georges Michel, estamos trabalhando no dialogo com os outros partidos. Vamos abrir o leque? Estamos procurando desenvolver o dialogo com todos. Claro, tem alguns partidos que nem querem falar conosco e nem nós temos condições de falar com eles. Porque ideologicamente não há nenhuma afinidade e não faz sentido a gente forçar uma barra. Agora, por outro lado a gente sabe a política é a arte de construir ideias e projetos. Não é só uma questão de acomodar temporariamente por uma questão eleitoral. Nós precisamos construir com os partidos que puderem estar junto conosco um plano de governo viável, sustentável, tecnicamente com condições de atender às demandas da população e com vontade política.
O PDT fechou com alguém?
Falar em fechar talvez seja até um desrespeito aos outros partidos. Acho que nenhuma coligação fechou nada. Aproximou, conversou. Por exemplo, o PSDB está tentando se aproximar da chapa do Frejat. Essas conversas vão continuar.
Mas existem conversas?
Temos conversado com vários partidos. O PCdoB, PPL, há possibilidade de estender isso para outros partidos. E as conversas estão bem avançadas. Em respeito aos outros partidos qualquer comunicação de oficialidade tem que ser feita conjuntamente. E eu não quero aqui me precipitar e falar o nome de qualquer legenda. Mas nós estamos trabalhando nesse sentido e as conversas estão bem avançadas.
Pensa em falar com o PT?
Penso. Penso em conversar com todos. O PT não está excluído disso absolutamente. Não tenho preconceito com o PT. Acho até que estão cometendo uma injustiça com o PT. Os problemas que se refletiram no País não são de uma legenda. Eles transcendem até as corporações partidárias. Invadem o território de todos os Poderes, Judiciário, o Legislativo, o Executivo. Envolvem instituições que antes a gente imaginava que eram, vamos dizer, o centro da ética, conduta moral. Então é uma crise nacional. Então jogar tudo isso na conta de um partido é injusto. Acabam achando que punindo um resolve o problema. Vamos dizer assim, vamos matar o leproso que a lepra desaparece. É uma força de expressão que estou usando. Não tem nada a ver com o caso do PT em si. Mas a ideia é que as pessoas precisam de um bode expiatório. É injusto isso. Dentro do PT nós temos pessoas de bem, sérias, como em todos os partidos. Agora é preciso fazer essa leitura. Entender que os partidos são maiores do que as pessoas. O partido em si não é nem bom nem ruim. Agora quem faz o partido são as pessoas que estão dentro dele. E se tem pessoas boas nós temos que valorizar isso e respeitar.
O PT não está marcado por escândalos, inclusive no DF?
Hás vezes, na nossa vivência a gente aprende com os erros dos outros. Enxergando as falhas dos outros a gente tenta construir um modelo pessoal. Só que muitas vezes fica só no campo filosófico. Eu acho que a grande sabedoria da vida é a gente saber aprender com os erros dos outros, sem precisar de pagar caro pelos nossos próprios erros. Mas hás vezes, isso não acontece. E acho que foi o que ocorreu com parte do PT. Eles sabiam o que fazer. Sabiam o que não fazer. E acabaram fazendo o que não deviam. E estão pagando o preço por isso. Isso não deve passar incólume. Eles vão sofrer muito com isso. E esse preço é consequência natural de escolhas erradas. Agora, todos os membros do PT tem que ser responsabilizados por isso? Eles vão sofrer, todos, inclusive inocentes pagando por pecadores? Mas é uma maneira que a vida tem de nos ensinar. O PT certamente vai colher os frutos amargos de erros que, eventualmente, já tinham cometido.
Relação do GDF com a Câmara Legislativa?
Eu fui deputado por três mandatos. Procure lá qual foi o administrador que eu indiquei? Qual foi o secretário? Eu não fiz política na base do “tomá lá dá cá”. Porque há uma cultura no Brasil de governar é ocupar espaços para atender os seu apadrinhados. Não é fácil mudar a cultura. Não é, mas tem que mudar. Nós estamos hoje enxergando um tempo novo. E espero que isso aconteça. Quando fui parlamentar, acho que diferentemente do atual governador, eu vivi o parlamento e acho que sei como se relacionar com o parlamento. Coisa que ele não soube fazer. Acho que ele brigou com o vice dele, com os partidos aliados. Se desentendeu. Já não se trata agora de dizer que vai trabalhar com A ou com B. É como você lida com isso. Relacionamentos são construídos. E a construção tem que ter determinados pressupostos, regras. Não posso me relacionar com um deputado que coloca a faca no meu pescoço, dizendo: “Se não faz isso, não faço aquilo”. Agora, não posso ignorar um deputado que tenha no seu partido, nos seus quadros, que tenha uma proposta inteligente, importante para a cidade e dizer para ele: “Não você não é do meu partido, não vou fazer isso”. É fácil? Eu vivi lá dentro e sei que não é simples. Mas acredito que seja possível. Os novos tempos exigem que seja assim.
Explique melhor.
Quando você tem, por exemplo, tem necessidade de estabelecer uma equipe de trabalho você avalia quem são as pessoas disponíveis, qual o perfil técnico delas. O erro da administração pública é colocar pessoas certas em lugares errados ou colocar pessoas erradas em lugares certos. Isso não pode acontecer. O nosso entendimento é que temos um programa de governo, nele temos que desenvolver educação, saúde e etc. Não vou dizer: “Eu te dou um cargo daqui e você me dá os votos daí”. Não é assim que funciona. Brasília é maior do que nós. E nós precisamos ter essas pessoas olhando para Brasília e não para o próprio umbigo. Então o entendimento, não gosto nem de falar negociação, essa palavra é pejorativa demais para classificar um entendimento entre Executivo e Legislativo, o entendimento que tem que ser feito é: “O que queremos para cidade”. Então: “Você tem como contribuir? Quais são as pessoas do seu partido do seu conhecimento que podem contribuir com isso?”. Se isso for viável? Faremos. Agora, as regrinhas vão estar estabelecidas lá. Se tiver a pessoa certa no lugar errado, tem que colocá-la no lugar certo. Se for a pessoa errada, tem que tirar. Esse diálogo é difícil, mas necessário. Como dá muito trabalho, hás vezes as pessoas resolvem entregar o pacote lá outro e deixa ele tomar conta. Isso não vai funcionar. Como não está funcionando. E nem pode ser repetido, no nosso eventual governo.