Camila Costa
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As inúmeras tentativas em fragilizar a figura e a atuação do presidente regional do PSDB, deputado federal Izalci Lucas, parecem servir de trampolim para o tucano planejar seus passos. Em meio a convocação de uma eleição interna tumultuada e das pré-definições políticas para 2018, Izalci assegura que voltará ao comando da sigla após o processo, mas deixará o posto logo que vencer a corrida ao Palácio do Buriti.
O otimismo do parlamentar bate de frente com a onda de ataques de dissidentes do PSDB, que tentam agora protelar as eleições, convocadas para dia 1 de junho. O grupo quer a nomeação de uma Comissão Eleitoral para conduzir o processo, publicando, inclusive, um novo Edital de Convocação.
Cabo de guerra
O embate dos grupos pró e contra Izalci começou logo que membros do PSDB aceitaram gentilezas de Rodrigo Rollemberg (PSB) e cargos no governo. O cabo de guerra tem se mantido, mas até agora Izalci tem vencido as batalhas, a exemplo do apoio do partido para a sua pré-candidatura.
Antes da confirmação do nome do tucano para o GDF, rivais do político apostavam que ele estaria fora do processo. A recondução de Izalci ao comando do partido antes de uma nova eleição também chegou a ser questionada, porém, aconteceu.
Eleição direta
Respaldado pela nacional do PSDB, Izalci garante que as eleições estão dentro do que prevê o estatuto e o regimento interno da sigla. Depois de sete anos sem eleição direta, o processo foi marcado para o próximo 1º de junho, às 9h, na sede do partido, no Conic.
Serão eleitos os membros do Diretório Regional e suplentes; delegados, titulares e suplentes; membros do Conselho de Ética e Disciplina, titulares, suplentes e membros da Comissão Executiva do Diretório Regional do Distrito Federal.
“Tudo está sendo feito em cima das regras. Mas o que existe, de fato, é que há interesse de terceiros por trás do processo. Abadia está mobilizando, tem pessoas no gabinete do Rollemberg, gente com interesse direto ou laranja, que sempre negociou o partido como moeda de troca, mas que agora encontrou resistência”, atacou Izalci.
Táticas de guerrilha
Maria de Lourdes Abadia, hoje no PSB, foi uma das fundadoras do PSDB e deixou a sigla no início do abril para compor o grupo de Rollemberg, descontente com a atuação de Izalci à frente do tucanato. O grupo rival abandonado por Abadia, no entanto, ainda tenta abafar a influência de Izalci. Na tarde de ontem, filiados se reuniram para traçar uma estratégia e tentar eleger um nome de frente para defender o grupo opositor. Eram sondados, momentos antes do encontro, Márcio Machado, ex-presidente do PSDB-DF, e Paulo Roriz, recém-chegado à sigla. Uma carta foi elaborada (veja trecho abaixo) para ser apresentada à Executiva Nacional. A ideia é atrasar ainda mais o processo.
Isso porque as eleições já foram convocadas tardiamente. Essa é, inclusive, uma das críticas do grupo. No documento, eles falam que o Estatuto estabelece, sob pena de nulidade, um prazo mínimo de 25 dias entre a convocação da Convenção Extraordinária e a sua realização.
Outro problema apontado por filiados e membros do PSDB é que no edital de convocação não foi citada, segundo eles apontam na carta, a convocação para a eleição dos membros dos Diretórios Zonais. ”Sem eleições zonais não há eleição regional, e qualquer decisão/posicionamento em sentido contrário afronta, indubitavelmente, as regras estatutárias, que são claras ao dispor que – ao menos no caso do Distrito Federal – são os Delegados Zonais que votam na Convenção Regional”, diz trecho do documento formulado para ser entregue à Executiva Nacional. Até o fechamento desta matéria, a carta ainda não havia sido assinada por algum dos membros da dita oposição a Izalci Lucas.
Veja trecho da carta:
“ (…) É bem verdade, que a realização das eleições partidárias no Distrito Federal revela-se de suma importância para o restabelecimento da democracia interna, afinal, desde 2011, o PSDB/DF vem sendo conduzido por sucessivas Comissões Executivas provisórias, constituídas sem qualquer participação dos filiados. (…) Ora, Exmo. Presidente, não se pode perder de vista, que a publicação de um Edital de Convocação falho, como este publicado pelo Presidente provisório, que dá início ao processo eleitoral interno com graves vícios procedimentais, põem em risco não apenas o PSDB/DF, mas o próprio projeto político do PSDB Nacional, afinal, aproxima-se o prazo para registro das candidaturas, sem que o PSDB/DF tenha efetivamente realizado eleições, conforme as regras estatutárias, e colocado fim à prolongada questão dos Diretórios provisórios, criando um risco concreto de o PSDB/DF não conseguir, mais adiante, registrar as suas candidaturas e, por conseguinte, ficar de fora das eleições (…)”
Saiba mais
Não é de hoje que as eleições internas do PSDB causam polêmica. Há três anos, os tucanos foram às urnas sob sombra de questionamento judicial para eleger os 187 delegados das 21 zonais da legenda no DF. Na época, as chapas encabeçadas por Márcio Machado, ex-presidente regional, e Izalci Lucas, deixaram o processo alegando irregularidades no processo. A sigla segue rachada desde então.