
Francisco Dutra
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O desemprego assombra os eleitores do Distrito Federal. Ao longo dos últimos oito anos, o número de trabalhadores na rua saltou de 178 mil para 316 mil. É um assustador crescimento de 77,5%. Em 2011, a falta de emprego afetou 12,7% da população economicamente ativa (PEA). Agora, em pleno 2018, tira o pão, a saúde e os sonhos de 19,2%. Esta inquietante realidade coloca o combate do desemprego no olho do furacão da disputa pelo Palácio do Buriti.
Cada um destes números está registrado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), calculada pela Companhia de Desenvolvimento do DF (Codeplan). Segundo o professor de especialização de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Regional de Economia (Corecon) César Bergo, até agora as propostas dos 11 candidatos ao governo brasiliense deixam muito a desejar.
“Vejo muito vazio nas propostas. Eles estão mais preocupados em atacar um ao outro”, critica. Na avaliação do economista, o primeiro passo concreto está bem distante de ideias mirabolantes. “É colocar Brasília para funcionar. A cidade está travada. Dinheiro tem, mas não está sendo bem administrado. O governo é o principal indutor do desenvolvimento. Parar de investir gera esse mar de desempregados que estamos vendo”, afirma.
A revitalização do centro de Brasília é um ponto chave. Não apenas para geração de empregos, mas garantir a manutenção do título brasiliense de Patrimônio Cultural da Humanidade. Um belo cartão de visitas para o turismo e negócios em risco por diversos motivos, a exemplo da queda de um viaduto neste ano. Para Bergo, o DF deve investir em obras para reanimar a construção civil.

Para Bergo, o investimento pesado em educação pública deve entrar no horizonte do DF. Afinal, o estudante bem formado de hoje é o trabalhador de sucesso do amanhã. Na sequência, o economista aponta a necessidade da criação de um polo de tecnologia competitivo. “O que temos hoje é pura maquiagem. E o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA)? Há 15 anos era um formigueiro de trabalhadores. Hoje está às moscas”, comenta.
Para Brasília deixar de ser campo fértil para o desemprego, o economista também aponta o caminho do campo. Cidades como Planaltina são referência no agronegócio. “Temos a Embrapa esquecida. É uma baita empresa que precisa ser revitalizada”, aponta Bergo. Outro potencial deixado para escanteio é o mercado esportivo, a começar pela indefinição de usos equipamentos esportivos, como o Estádio Nacional Mané Garrincha.
“E tem a desburocratização. Falo da efetiva mesmo. É preciso um trabalho urgente de simplificação”, pondera. O DF precisa crescer fora do Serviço Público. De acordo com Bergo, os empresários ficam reticentes em investir se o futuro não estiver bem delineado.
Confira as propostas contra o desemprego das candidatas e candidatos ao GDF:
Eliana Pedrosa (Pros): “Atração”

Eliana Pedrosa. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília.
O foco de Pedrosa é a atração de empresas para o DF. Neste contexto, a candidata prepara um pacote de medidas. “O atual governo burocratizou e dificultou a permanência de investimentos no DF. Mas nosso objetivo é fomentar o desenvolvimento e gerar empregos com a meta a de praticamente zerar o déficit de mais de 300 mil vagas que existe hoje”, dispara. A lista de ações passa pela redução de impostos, criação de incentivos, estabilidade política e legal, bem como, desburocratização.
Alexandre Guerra (Novo): “Fazer mais com menos”

Alexandre Guerra. Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasília.
A curto prazo, Guerra promete reativar toda a da construção civil, indo das incoorporações até as obras de infraestrutura. Medidas serão tomadas para destravar projetos que estão aguardando aprovação, bem como a abertura de investimento para outros. A redução da burocracia é um compromisso. Atualmente um empreendimento para abrir as portas depende das assinaturas de três a cinco secretarias. Além do corte geral de secretarias, Guerra irá centralizar todas etapas e procedimentos necessários em apenas uma secretaria. Em um eventual governo, ele também promete definir um prazo para a entrega do habite-se. “A médio e longo prazo, vamos incentivar os segmentos vocacionados de Brasília: tecnologia, turismo e logística. Brasília pode ser um importante hub logístico escoado produtos para o Brasil”, conta. No planejamento do candidato, o DF também vai trabalhar se tornar uma referência nacional de eventos.
Antônio Guillen (PSTU): “Reestatizar”

Antônio Guillen/Divulgação
“No nível nacional o PSTU quer a redução da jornada de trabalho. No nível do DF, nossas linhas prioritárias começam com um plano de obras publicas para casas populares, postos de saúde e reformas de escolas. Nossa propota é revitalizar a Novacap. Ela construiu Brasília com 14 mil trabalhadores. Hoje tem 4 mil, 2 mil do quadro e 2 mil terceirizados”, comenta. Por isso ele pretende recompor os quadras da empresa com concursados. Guillem pretende usar a Terracap como instrumento para fomentar a agricultura familiar com novos assentamentos. Além de contratar mais servidores e reajustar os salários das categorias, quer criar uma estatal para contratar para prestar os serviços gerais para o GDF.
Ibaneis Rocha (MDB): “Zona Franca do DF”

Ibaneis Rocha / Foto: João Stangherlin
Pretende fomentar as micro, pequenas e médias empresas. Uma linha é usar o Banco de Brasília (BRB) como agência de fomento, com foco no 1º emprego e no emprego para pessoas acima dos 35 anos. Para isso, planeja uma parceira com o Sebrae e a criar uma agência para fomento de empregos. “Também vou olhar para o Agronegócio. A Emater está sucateada. E vou empregar o BRB nisso também. O banco tem R$ 1 bilhão disponível para investimento. E vou colocar o FCO para rodar”, comenta. Rocha também baterá na tecla da Construção Civil. Além de destravar o mercado para as grandes e pequenas obras, promete agilizar a liberação de alvará estabelecendo um prazo de 72 horas. “E quer criar a verdadeira Região Metropolitana. Vou mandar uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC) para o Congresso. Com isso poderemos criar uma Zona Franca. Teremos tributação diferenciada para acabar com a Guerra Fiscal com Goiás. E vou investir no eixo entre Brasília e Anápolis (GO). Nessa região podemos crescer com logística e um aeroporto de cargas”, completa.
Renan Rosa (PCO): “Luta sem perda”

Renan Rosa/Divulgação
“O desemprego é uma consequência de duas questões fundamentais. A crise mundial, agravada pela politica de destruição da economia nacional, implementada pelo golpe de estado. Quem tem que pagar pela crise não são os trabalhadores”, martela. Por isso, pretende brigar pela redução da jornada de trabalho, sem redução do salário. “Queremos 35 horas semanais e abertura de mais vagas”, detalha. Sem entrar em detalhes, Rosa planeja usar o Estado para intervir na economia para gerar mais empregos. O candidato não acha que resolve toda a questão com uma canetada. Mas se eleito, considera que terá apoio popular para tanto.
Alberto Fraga (DEM): “Secretaria da Micro e Pequena Empresa”

Alberto Fraga. Foto: Josemar Gonçalves/Cedoc/Jornal de Brasília
Fraga promete a criação de uma cultura de investimento privado em Brasília. “E para isso vou criar a Secretaria da Micro e Pequena Empresa para começar. Já assumi esse compromisso com o setor”, conta. Neste embalo, a oferta de incentivos fiscais está no horizonte, especialmente para o fomento de industrias não poluentes. “E vou apostar no retorno das empresas que saíram daqui. O governo de Goiás está nos sufocando e tirando empresas com incentivos no ICMS. Vamos revidar e trazer de volta o que perdemos”, garante. Nesta linha, estuda a revitalização do Pro-DF. “A geração de emprego diminui a violência. Brasília tem que sair dessa ótica de que a vida é só concurso e serviço público”, pondera.
Julio Miragaya (PT): “30 mil temporários”

Júlio Miragaya. Foto: Kléber Lima
A mudança da atual política econômica nacional de Michel Temer (MDB) é o passo inicial para Miragaya. “No primeiro caso, é crucial a mudança da atual política econômica de Temer, pautada no ajuste fiscal recessivo, por uma política de incremento do investimento público e de maior acesso ao crédito, que induza o investimento privado, e isso só será possível com a eleição de Lula (PT) para a presidência da República”, afirma. No patamar local, prega a criação de uma frente de trabalho de 30 mil trabalhadores contratados diretamente pelo GDF por 6 meses, com o aval da Câmara Legislativa. Eles trabalharão em pequenas obras e serviços públicos. Além disso, quer criar um grupo de trabalho com Terracap, Codeplan e BRB voltado para a elaboração de projetos de infraestrutura de energia, transportes e logística. Desta forma, promete captar mais recursos e criar condições para a vinda de investimento e industrias privadas para o DF.
Fátima Sousa (PSOL): “Emprego regionalizado”

Fátima Sousa. Foto:João Stangherlin/Jornal de Brasília.
“Farei um plano de investimento público frente para recuperar as 80 escolas públicas sem condições de funcionamento. Da mesma forma como unidades básicas de saúde, hospitais e obras para saneamento básico e um plano para moradia popular”, afirma. Prometendo a criação do Conselho de Bem Viver, com participação do setor produtivo, Fátima pretende elaborar programas para facilitar a vida do empreendedor, especialmente os pequenos. Para aquecer a industria do conhecimento, pretende direcionar a FAP para apoiar projetos com cunho social. “O setor produtivo receberá incentivos em contrapartida ao aumento de emprego para as periferias das cidades”, detalha. O plano de governo também prevê a transformação do BRB em agente de fomento. “E vamos fazer o diagnóstico das 31 regiões do DF. Para sabermos da potencialidade para cada cidade, sentar com o setor produtivo e garantir o emprego nas cidades”, acrescenta.
Paulo Chagas (PRP): “Saia da frente do empresário”

General Paulo Chagas. Breno Esaki/Cedoc Jornal de Brasília
“Quem está desempregado não é funcionário público. Quem está desempregado é o cidadão comum que estava empregado em alguma empresa ou o próprio empresário que quebrou. Então o papel do Estado nesse momento é criar condições para que os empresários voltem a investir, que tenham estímulo para voltar e criar emprego e renda. Esse é o caminho. Não tem outro. Acho que o Estado não tem que escolher frente. Ele tem que abrir as portas e sair da frente do empresário, principalmente. Sai da frente do empresário que ele dá um jeito nesse problema”, afirma Chagas. Para o candidato do presidenciável Jair Messias Bolsonaro (PSL) no DF, Brasília tem vocação para a tecnologia. “Nosso Parque Tecnológico foi criado, finalmente. Nós temos que dar incentivos para que ele exerça a sua função. Ali é o local para que as empresas”, complementa. Neste contexto, Chaga promete atenção especial para as start ups. “Mas o papel do Estado é sair da frente do empresário. É a inciativa privada que vai nos tirar desse buraco”, reforça.
Rogério Rosso (PSD): “De reajustes até as compras governamentais”

Rogério Rosso. Foto: Raphael Ribeiro/Cedoc/Jornal de Brasília
O primeiro passo de Rosso é conceder todos os reajustes pendentes para os servidores públicos, apostando que o aumento da renda irá repercutir positivamente em todo mercado. Na sequência, criará polos regionais de desenvolvimento econômico, incluindo um polo de Saúde. A ideia é descentralizar a cadeia produtiva do DF. Prometendo uma parceria com o Governo Federal e Goiás, quer levar projetos de emprego para Região Metropolitana. “Existe um mercado imenso de compras governamentais da União e do DF. Vamos levar nos empresários para ele”, garante. Na linha do compromisso com a desburocratização, promete digitalizar licenciamentos e alvarás, estabelecendo prazos para a entrega. Além de apostar no ramo da logística, Rosso promete atenção diferenciada para os Microempreendedores Individuais (MEIs) e pequenos empresários, com fomento do BRB e do FCO.
Rodrigo Rollemberg (PSB): “Foco nas mulheres”

Rodrigo Rollemberg. Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília.
Caso reeleito, o governador prepara diversas estratégias de fomento ao microcrédito para pequenos empreendedores, com foco nas mulheres, por meio da criação de uma agência específica. Também está no papel um programa de compras da produção rural familiar para abastecer as merendas escolares. Rollemberg também planeja transformar a Fábrica Social em um centro de formação e fomento ao empreendedorismo e tem em mente a implantação de um programa de qualificação profissional, com foco no mercado. Simplificação tributária, melhoria nos mecanismos de fiscalização e o Código de Defesa do Contribuinte estão na agenda da reeleição. “Tivemos, neste mandato, avanços legislativos e normativos que garantem melhores condições competitivas. Destaco, especialmente, a aprovação da lei federal que concede benefícios fiscais às empresas instaladas no Distrito Federal. Poderemos, agora, trabalhar por um efetivo desenvolvimento regional com integração de nossos investimentos na RIDE”, comenta. Rollemberg planeja trabalhar para que o DF vire um competidor nas áreas de logística, tecnologia, biotecnologia, industrias limpas, tendo o Parque Biotic como eixo.