A crise do BRB ganhou um ingrediente ainda mais sensível. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o ministro Luiz Fux pressionou por uma solução “o quanto antes” para o banco estatal brasiliense. O motivo, segundo Durigan, vai muito além da saúde financeira da instituição: cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de tribunais estaduais estão abrigados no banco.
A preocupação exposta pelo integrante da equipe econômica chama atenção porque coloca o próprio Poder Judiciário no centro da discussão. Segundo Durigan, Fux teria alertado que uma eventual quebra do BRB poderia comprometer a credibilidade das decisões judiciais. Em outras palavras, tribunais poderiam determinar pagamentos que, no limite, não teriam recursos disponíveis para serem executados. O temor seria de uma inédita situação em que a Justiça mandaria pagar, mas o dinheiro simplesmente não estaria lá.
A declaração joga nova luz sobre as negociações conduzidas no Supremo para construir uma saída para o banco, abalado pelas investigações envolvendo o Banco Master. Durigan insistiu que não haverá socorro direto da União, mas admitiu que a operação desenhada conta com participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e apoio dos principais bancos do país. Nos bastidores, a avaliação é que o custo de deixar o BRB afundar poderia ser ainda maior do que o de encontrar uma solução emergencial.
O argumento do interesse público também ganhou destaque. Além dos depósitos judiciais, o BRB concentra serviços essenciais do Distrito Federal, como programas sociais, bolsas estudantis e sistemas de transporte público. Para o Ministério da Fazenda, uma eventual liquidação da instituição poderia provocar impactos que extrapolariam o mercado financeiro e atingiriam diretamente a população.
As declarações surgem justamente quando a Operação Compliance Zero avança sobre personagens centrais da relação entre o BRB e o Banco Master. A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades na compra de carteiras de crédito que levaram o banco estatal ao centro de uma das maiores crises financeiras e políticas já enfrentadas pelo Distrito Federal.
Enquanto o governo local corre para apresentar um plano de recuperação considerado crível por credores e autoridades, a fala de Durigan deixa uma mensagem clara: a preocupação já não é apenas com o futuro do BRB, mas com os efeitos institucionais que uma eventual quebra poderia provocar. Nos corredores de Brasília, a discussão deixou de ser apenas financeira e passou a envolver a imagem de um dos pilares da República.