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Direita tem de aglutinar forças para derrotar Doria em SP, diz pré-candidato ao governo

Para ser candidato, o deputado deverá mudar de partido. Hoje, o PSL faz oposição a Bolsonaro, embora o retorno do presidente à legenda seja uma possibilidade

Foto: Reprodução/Facebook

Fábio Zanini
São Paulo, SP

Assim como na eleição federal, a disputa pelo governo de São Paulo no ano que vem poderá ter uma terceira via. A diferença é que, para presidente, busca-se um candidato de centro entre Jair Bolsonaro (hoje sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já na esfera estadual, a alternativa seria entre o candidato do tucano João Doria -que poderá ser inclusive ele mesmo- e a esquerda, representada por Fernando Haddad (ou outro petista) e Guilherme Boulos (PSOL).

Em São Paulo, essa alternativa pode vir da direita. Nomes já colocados são os do presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (sem partido), do deputado estadual Arthur do Val (Patriota) e dos federais Vinicius Poit (Novo) e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL).

Um dos que mais têm se movimentado a um ano e meio da votação é Luiz Philippe. “O que o Doria faz aqui no estado é criminoso”, diz ele, dando o tom do que será sua eventual candidatura: oposição forte ao governador de São Paulo, hoje uma figura mais rejeitada entre conservadores até do que os próprios petistas.

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Para ser candidato, o deputado deverá mudar de partido. Hoje, o PSL faz oposição a Bolsonaro, embora o retorno do presidente à legenda seja uma possibilidade que rotineiramente é aventada.

Luiz Philippe engajou-se na construção do Aliança Pelo Brasil, partido que chegou a ser anunciado em 2019 pelo presidente. Mas a pandemia e a falta de organização dos proponentes da legenda inviabilizaram essa alternativa.
O deputado afirma que tem convites de diversos partidos, e hoje a possibilidade mais forte de filiação é ao PTB, comandado pelo neobolsonarista Roberto Jefferson, que já abrigou outros apoiadores do presidente. Mas ele diz que mais importante, para derrotar o governador, é haver uma coalizão de forças que vão da direita ao centro.

“Para destronar o PSDB em São Paulo, com um partido só você não consegue. Eles têm uma máquina pública grande, mais de 300 prefeituras, podem fazer nomeações, oferecer cargos, secretarias, fazem todo tipo de composição. Você tem de ser capaz de aglutinar as forças. Não dá para ser um cavaleiro solitário”, afirma.

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As dificuldades da direita para governar São Paulo são históricas. Em períodos democráticos, é preciso voltar a Ademar de Barros nos anos 1960 para encontrar um direitista no Palácio dos Bandeirantes.

Desde o fim da ditadura, o estado foi administrado pelo antigo PMDB e de forma contínua pelos tucanos, com exceção de duas breves interinidades de vices. Figura histórica da direita, Paulo Maluf tentou ser governador três vezes pelo voto direto e fracassou.

Agora, diz Luiz Philippe, a história pode ser outra, até porque o presidente Bolsonaro precisará de palanques firmes no estado e pode ajudar candidatos do campo conservador.

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O deputado diz que Bolsonaro será seu candidato a presidente mais uma vez, especialmente num cenário em que a polarização ocorrer com Lula, como hoje parece mais provável.

Ele, no entanto, diz que o presidente deve ficar livre para apoiar quais candidatos preferir no estado. “A melhor coisa que o Jair pode fazer é não escolher nenhum candidato. Ele está livre para apoiar quem ele quiser”, diz.

Um possível competidor do deputado no campo pelo voto conservador e bolsonarista é Weintraub. O ex-ministro, atualmente trabalhando no Banco Mundial em Washington (EUA), tornou-se um ídolo dos apoiadores do presidente, e já deu sinais de que quer colocar seu nome como candidato ao governo.

Luiz Philippe diz que ambos têm alinhamento ideológico, mas diferem no estilo. “A gente tem um conteúdo similar. Onde a gente destoa é no jeito: ele é mais populista. Um tem mais perfil disruptivo, outro é mais gestor”, afirma.
Esse jeito mais diplomático do deputado, descendente da Casa Imperial brasileira e chamado por colegas de “príncipe” certamente destoa do estilo boquirroto do ex-ministro.

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É provável que um palanque sólido para o conservadorismo no principal estado da nação precise passar por uma composição entre ambos.

Por ora, Luiz Philippe diz que está intensificando conversas políticas, e faz acenos inclusive para nomes hoje identificados com o antibolsonarismo, como Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei. “Não o vejo com maus olhos”, diz.

Sua candidatura, diz, será assumidamente conservadora nos costumes e liberal na economia, receita de sucesso que levou à eleição de Bolsonaro em 2018. Só assim, acredita, será possível encontrar um caminho viável entre os tucanos e a esquerda.

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As informações são da FolhaPress






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