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Dimas Covas explica casos de Nelson Sargento e Sarney

Compositor faleceu nesta quinta (27) vítima de covid. “A vacina não é uma proteção absoluta”, disse o presidente do Butantan

Por Willian Matos 27/05/2021 1h16
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, explicou na CPI da Covid nesta quinta-feira (27) sobre a imunização promovida pela vacinação contra a covid-19.

Covas foi perguntado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre o caso do compositor Nelson Sargento, 96 anos, morto vítima da covid-19 nesta quinta (27). Sargento havia recebido as duas doses da imunização contra a doença.

O presidente do Butantan também respondeu sobre o ex-presidente José Sarney, 91 anos, que foi vacinado com as duas doses, mas, testes de detecção da covid não apontaram anticorpos.

Covas explicou que o índice de indução de anticorpos em pessoas idosas é de 98%. Por isso, não seria correto dizer que 100% dos idosos irão adquirir anticorpos. “Pessoas idosas tem um fenômeno biológico chamado imunossenescência. Os idosos respondem menos na produção de anticorpos em relação aos indivíduos mais jovens. Por isso que não é 100% de soroconversão”, disse o presidente.

“A vacina não é uma proteção absoluta, não é escudo contra a doença e nem contra a mortalidade. Ela é uma proteção relativa. Entram os fatores individuais das pessoas, as comorbidades, vários fatores”, prosseguiu.

Dimas Covas ressaltou que nenhuma vacina é totalmente eficaz contra a infecção, mas, sim, contra as manifestações clínicas, sobretudo as mais graves. “A pessoa que se vacina está relativamente protegida, mas tem os fatores individuais que entram se ela eventualmente pegar a infecção, e esses fatores são preponderantes, inclusive, para determinação da gravidade”, explicou.

Terceira onda

Antes, Covas ressaltou a importância de medidas além da vacinação contra a pandemia. O presidente disse que as vacinas por si só não seriam capazes de abortar a segunda onda e tampouco abortarão a terceira.

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“A vacina, nesse momento, ajudaria muito, mas não resolveria o problema da epidemia. Ela não teria abortado a segunda onda e seguramente não vai abortar a terceira onda, porque nós temos ainda muitas pessoas suscetíveis no Brasil”, explicou Covas. “Portanto, as medidas chamadas não farmacológicas para enfrentamento da epidemia são fundamentais.

O presidente citou que diversos países do mundo fizeram essa junção de medidas e, por isso, têm controlado a pandemia. “Isso foi feito por todos os países civilizados do mundo que conseguiram o controle da epidemia. A gente só precisaria copiar, não precisaríamos inovar. Nós não fizemos isso.”








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