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Política & Poder

DF não registra grandes protestos, mas lideranças do PT prometem esquentar articulações

Arquivo Geral

25/01/2018 7h00

Atualizada 24/01/2018 23h43

Grupo liderado pelo MBL chegou a fazer um protesto na Praça dos Três Poderes. Não houve confronto e sequer pressão policial. Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Camila Costa
redacao@grupojbr.com

Ao contrário do que ocorreu na terça-feira – e ao contrário também da movimentação de ontem em uma série de outras capitais do País, praticamente não houve maior mobilização de militâncias no Distrito Federal. Nem do PT e nem dos que pediam a condenação e até a prisão do ex-presidente Lula.

Um grupo liderado pelo MBL chegou a fazer um protesto na Praça dos Três Poderes, diante do Palácio do Planalto. Não houve confronto e sequer pressão policial.

Os discursos de calmaria e esperança do ex-presidente Lula no dia de ontem foram contrariados pela sentença tanto aguardada. Os três desembargadores da 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) não apenas condenaram o petista pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro como também aumentaram a pena a ser cumprida de 9,6 anos para 12 anos. O resultado não surpreende aliados políticos no Distrito Federal, mas promete esquentar as articulações em torno das próximas eleições. Sob clima tenso de atos e manifestos em Porto Alegre e São Paulo após o resultado do julgamento, o Partido dos Trabalhadores (PT) manteve a decisão de registrar a candidatura de Lula.

A Frente Brasil Popular e a presidente do PT Nacional, Gleise Hoffmann, se manifestaram logo em seguida ao resultado. Em nota, afirmaram que a candidatura de Lula será registrada até 15 de agosto, prazo de pedidos de registro de candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Lei da Ficha Limpa garante ao candidato barrado recurso que poderá manter Lula na campanha pelo menos até 20 dias antes das eleições. Mesmo que não consiga liminar que regularize a candidatura em instância superior, Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF), o partido poderá registrar Lula como candidato em 2018 à presidência.

Ainda sim, se o TSE indeferir o pedido de registro, Lula poderá recorrer. E campanha continua, segundo lei eleitoral, enquanto o candidato estiver com chances de recurso. “Hoje é o começo da grande caminhada que, pela vontade do povo, vai levar o companheiro Lula novamente à Presidência da República”, insistiu Gleise em nota.

Já aguardado

O resultado foi insatisfatório, porém, os petistas já aguardavam tal parecer. Um reunião do diretório nacional está marcada para hoje em São Paulo. Aliados como o distrital Chico Vigilante, vice-presidente do partido no DF, está com o voo comprado para participar do encontro. O petista garante que a legenda terá nome para o governo do DF e as diretrizes dessa articulação virão de cima. “A condenação do Lula não muda absolutamente nada. Vamos denunciar aos tribunais internacionais porque estamos vivendo uma ditadura de togas. Essa reunião de amanhã (hoje) dirá quais serão os próximos passos”, avisa o parlamentar.

Sindicalista e ex-ministro são cotados

Enquanto novos caminhos não são decididos, o partido vem trabalhando discretamente dois nomes, em clima de suspense. Rosilene Correa, diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), já tinha se manifestado interessada em participar da disputa. O ex-ministro da Justiça no governo Dilma, Eugênio Aragão, é um nome cogitado. Um encontro com petistas e aliados locais está previsto para depois do dia 8 de fevereiro com intenções de alinhar uma pré-candidatura. “Esperava-se uma receptividade maior quanto à candidatura da Rosilene, mas ainda não está descartada. Vamos discutir isso de agora em diante”, adiantou o deputado distrital Wasny de Roure (PT).

A presidente do PT-DF, a deputada federal Erika Kokay (PT) não está no Brasil. Foi aos Estados Unidos (EUA) visitar o filho. José Luis da Silva Pereira, dirigente do PT-DF, afirma que o nome para o governo virá dentro de cerca de 15 dias, dentro de um ambiente desfavorável, não somente pela condenação do ex- presidente.

“A ideia era construir uma aliança com outros partidos, mas ao que parece os partidos já se aliaram, sem o PT. Talvez ficaremos sozinhos, o que nos coloca em outra realidade, Ou seja, teremos que rever a estratégia eleitoral”, comenta, ao se referir à frente de oposição ao governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), composta pelo PDT, do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle; o PPS, do senador Cristovam Buarque; o PSD, do deputado federal Rogério Rosso; e o PCdoB.

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