Camila Costa
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O desenho articulado pelo Executivo para a composição da Mesa Diretora tem se fortalecido nos bastidores da Câmara Legislativa. Os deputados mais próximos do governador Agnelo Queiroz contam que a intenção é viabilizar a indicação de parlamentares fiéis ao Palácio do Buriti para cada um dos cinco cargos da Mesa. A eleição deve ocorrer nas primeiras horas de sexta-feira, logo após a votação dos projetos da pauta, entre eles a Lei Orçamentária Anual para 2013.
Para a chapa majoritária, a indicação de Wasny de Roure (PT) já foi oficializada e deverá ter o aval da maioria dos distritais da base, mesmo com resistência de alguns. A vice deverá ficar com Agaciel Maia, do bloco PMDB-PTC-PTdoB-PPL. Os dois parlamentares já testaram uma dobradinha na Comissão de Economia.
Entretanto, a reunião do bloco só será amanhã e a indicação dos nomes não é dada como certa pelo líder do bloco, o distrital Rôney Nemer (PMDB). Na última semana, Rôney se reuniu com o governador para expor a insatisfação do bloco com a indicação de Wasny para a presidência, com o argumento de que é necessário a alternância de poder. “Não concordamos com um desenho da Mesa Diretora pré-definido. Vamos indicar um nome para a Mesa e depois, em reunião com outros blocos, vamos definir os cargos”, explicou Rôney.
Independência
O parlamentar admitiu que existe o “aconselhamento” do Executivo na composição da Mesa, mas defende a independência da Câmara. “Tem consulta, sintonia, mas não pode ter submissão”, disse Rôney. Isso significaria uma negociação mais ampla, que não se resumiria a postos na Mesa Diretora.
O governo também já sinalizou qual é sua indicação para a 1° secretaria, a mais próxima da presidência. Quer o distrital Washington Mesquita (PSD), que, apesar de fazer parte do bloco oposicionista da Câmara, sempre se comportou como base. O próprio distrital confirmou o convite feito pelo Executivo, como o Jornal de Brasília mostrou na edição de sexta-feira.
A reunião do bloco do PSD deve ocorrer hoje ou amanhã e as três deputadas – Eliana Pedrosa, Liliane Roriz e Celina Leão – terão de se posicionar com relação à indicação do governo. A líder do bloco, Eliana Pedrosa, afirmou que não encontra resistência ao nome de Washington, mas lembrou que a decisão deve ser do bloco e não do governo. “Existem regras de boa convivência, e esperamos que elas sejam respeitadas. Percebemos que a tendência é estabelecer um autoritarismo exacerbado, mas deve prevalecer o bom senso”, disse.
Mais espaço para o PEN
Para as 2ª e 3ª secretarias foi proposta uma troca. Joe Valle (PSB), hoje na 3ª, iria para a 2ª secretaria, onde está Aylton Gomes (PR). O deputado do PR ficaria com a 3ª. A troca é vislumbrada inclusive pelo bloco de Joe, do PEN, que busca mais representatividade na Câmara. Isso deslocaria Israel Batista, o candidato oficial à 2ª secretaria.
“A opinião do Agnelo e a posição do Filippelli (Tadeu Filippelli, vice-governador) são muito importantes, mas a discussão será em conjunto, em consenso com os blocos”, minimizou o líder do bloco do PT-PRB, Chico Vigilante (PT).