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Política & Poder

Demóstenes sustenta existência de edições nas gravações da PF

Arquivo Geral

06/07/2012 11h44

Pela quarta vez na semana, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) subiu à tribuna do Senado para se defender das acusações que pesam contra ele no processo que pede a cassação de seu mandato. O pedido será votado no Plenário na quarta-feira (11).

 

 

Em seu pronunciamento nesta sexta-feira (6), o parlamentar sustentou mais uma vez que houve edição ilegal nas conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal em que ele foi flagrado conversando com Carlinhos Cachoeira e outros suspeitos de envolvimento com o grupo do contraventor.

 

 

Demóstenes também reclamou do fato de não ter sido permitida a análise dos áudios originais pelo perito contratado por ele. Ele apresentou as conclusões do perito Joel Ribeiro Fernandes, com base em alguns trechos das gravações. “O doutor Joel Ribeiro Fernandes, sem os áudios originais, só com cópias em mãos, analisou poucos minutos das 250 mil horas de gravações e onde ele pesquisou encontrou indícios graves de violações. Foram apenas alguns trechos e todos eles contêm indícios de fraudes”, disse o senador.

 

 

Ao ler as conclusões do perito, Demóstenes assinalou que não há no material prova científica que demonstra que as gravações sejam autênticas e mencionou novamente dois trechos citados por ele durante discurso desta quinta-feira (5).

 

 

No primeiro, em que supostamente pede dinheiro a Carlos Cachoeira para pagar o frete de um avião, Demóstenes assegurou que a voz que cobra o pagamento do avião não é dele, mas de uma terceira pessoa, que fala ao fundo da gravação. No segundo áudio, que trata da entrega de R$ 20 mil, Demóstenes sustentou que foram ignorados na transcrição diálogos anteriores e posteriores que esclareceriam o contexto da conversa e revelariam que o dinheiro não era destinado a ele.

 

 

“É um acumulo de más intenções. As escutas são ilegais, que produzem provas montadas, que por seu turno rendem transcrições não fidedignas”, lamentou o senador.

 

 

O parlamentar também repetiu ter sido investigado ilegalmente durante as operações contra o grupo de Cachoeira e criticou ainda a velocidade do Conselho de Ética em julgar o processo apresentado contra ele. “[O Conselho de ética] manteve os prazos estreitos no rito sumário exigido pela mídia”, disse Demóstenes.

 

 

Na segunda-feira, o senador subiu pela primeira vez ao plenário após a decisão do Conselho de Ética de recomendar sua cassação. No discurso, o parlamentar se disse vítima de uma campanha difamatória, questionou as escutas feitas pela polícia e se desculpou com os colegas que o apoiaram quando surgiram as primeiras denúncias.

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