Eric Zambon
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O PT-DF lançou, neste sábado (28), sua chapa para as eleições de 2018 sob tensão e com muitos ataques até para aliados. Os nomes do ex-presidente da Companhia de Planejamento (Codeplan) Júlio Miragaya, para tentar o Governo de Brasília, e do professor de direito Marcelo Neves, para o Senado, ainda escancararam a crise interna do partido. Em busca de sobrevivência política, seus caciques buscaram vagas proporcionais.
O deputado distrital Wasny de Roure, único petista com mandato a tentar voos maiores em 2018 – vai buscar o Senado – amenizou a indicação de nomes nunca testados pelas urnas para cargos majoritários ao admitir o “apequenamento do poder de votos” da sigla no DF. “Isso abriu espaço para candidatos que ultrapassam seus partidos do ponto de vista da afinidade na sociedade. O que vai estar em avaliação no atual estágio são antecedentes, história dos candidatos”, analisa.
Segundo ele, a nominata robusta para tentar a Câmara Legislativa também se provou uma estratégia falha, pois fez vários quadros buscarem novos ares atrás de espaço. Dentre os candidatos a deputado distrital, estão o ex-deputado federal e ex-presidente do partido no DF, Roberto Policarpo, a ex-vice-governadora Arlete Sampaio e o postulante ao Senado em 2014 Geraldo Magela. “O PT está vivendo uma crise profunda e isso reflete nas candidaturas”, desabafou Wasny.
O evento para escolha dos nomes aos cargos majoritários foi confuso até na sua definição. O estatuto do PT prevê que é preciso haver uma deliberação prévia para se chegar às nominatas. O evento do último sábado foi exatamente isso, mas a própria presidente do partido no DF, deputada federal e candidata à reeleição Érika Kokay, chamou de convenção regional. Depois ela se corrigiu, dizendo que o encontro tinha apenas caráter de convenção, marcada, oficialmente, para 5 de agosto.
Convenção, só que não
Ao longo do dia, o auditório da Câmara Legislativa do DF foi tomado por 300 delegados e definiu a chapa encabeçada por Miragaya ao governo e Wasny e Marcelo Neves ao Senado. Houve debates acalorados em torno de algumas questões pequenas, mas nenhuma confusão, a não ser quando uma pessoa não identificada pediu a saída dos jornalistas – que haviam sido convidados pelas assessorias dos deputados presentes.
O discurso que antecedeu as votações deixou claro, ainda, que o propósito do diretório regional é gerar palanque para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril após condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. Mesmo assim, ele é o nome do partido para tentar reeleição em outubro. Na resolução do PT-DF lida no auditório no sábado, o fortalecimento da legenda no DF foi a quarta ou quinta prioridade.
Sobraram ainda ataques a Cristovam Buarque (PPS), chamado de “traidor da nova direita”; Maninha e Heloísa Helena, por supostamente terem fugido das discussões sobre a reforma previdenciária; e, claro, ao governador Rodrigo Rollemberg, por ter “surfado na militância do PT” para se eleger e depois “cuspido no prato em que comeu”.
Perspectiva é de retomar votos de 2014
Nas pesquisas de intenção de votos lançadas antes da oficialização da candidatura de Júlio Miragaya, seu nome oscilava sempre com menos de 4% de chance. Os militantes, no entanto, rechaçam a pouca adesão e lembram que, quando a campanha começar, os indecisos escolherão um lado.
“O PT no DF sempre oscilou entre 37% e 43% dos votos (para governador). Nossa pior eleição foi a última, em que o Agnelo teve 20% na votação. No segundo turno, esse eleitorado do PT migrou para o Rollemberg, mas não vai continuar com ele dessa vez”, analisou Miragaya, que aposta no seu potencial de crescimento.
O postulante a senador Marcelo Neves ainda acredita que sua participação como “membro da Sociedade Civil” lhe trará apoio também de setores considerados, a princípio, não petistas.
Saiba mais
Durante o encontro deliberativo, Miragaya recebeu 134 votos e bateu Afonso Magalhães (109). Wasny obteve 216 e Marcelo Neves, 174 para compor a chapa como senadores. Chico Machado ficou em terceiro lugar, com 71.
A Convenção Nacional do PT acontecerá em 3 de agosto. Na ocasião, o Diretório Nacional vai apreciar os recursos impetrados por pré-candidatos a deputado distrital e federal no DF, que reclamaram que seus nomes foram excluídos da lista final.
A confirmação dos nomes que vão disputar as eleições no DF pelo partido fica para 5 de agosto, data oficial da convenção regional.