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Datafolha: 56% dizem nunca confiar em nada do que diz Bolsonaro

O ceticismo perene em relação ao atual titular do Planalto é alimentado pelo próprio, que adotou uma conduta que inclui mentiras

Por FolhaPress 27/05/2022 8h57
Foto: Sérgio Lima/ AFP

Joelmir Tavares
São Paulo, SP

Jair Bolsonaro (PL) se mantém na condição de presidente cujas declarações são tidas como nunca confiáveis pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha desta semana. A parcela dos que dizem nunca acreditar nele chega a 56%, ante 53% em março, cenário considerado estável.

Ainda conforme o instituto, 26% respondem confiar às vezes e 17% sempre confiam; 1% não opinou. No levantamento anterior, o índice de crença parcial era de 29%. Os outros dois permaneceram iguais.

O ceticismo perene em relação ao atual titular do Palácio do Planalto é alimentado pelo próprio, que adotou uma conduta que inclui mentiras e disparates como estratégia para inflamar suas bases, fustigar rivais políticos e ganhar espaço na briga pela reeleição. Parte das falas é alvo de investigações.

Bolsonaro é o segundo colocado na corrida presidencial, com 27% das intenções de voto, 21 pontos percentuais atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que possui 48%, de acordo com o Datafolha.

A pesquisa foi feita com 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país, na quarta (25) e quinta-feira (26). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O levantamento, contratado pela Folha, está inscrito no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

Bolsonaro já chegou a registrar um percentual de 60% de desconfiança plena sobre suas declarações, em dezembro de 2021. O sentimento arrefeceu depois disso, mas agora volta a se aproximar do pico.

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O melhor desempenho do chefe do Executivo no quesito de confiança total desde o início do mandato foi em agosto de 2020, quando a taxa dos que diziam confiar sempre nele bateu 22%.

Os dados desta semana mostram que o descrédito do presidente é maior entre as mulheres (59% delas nunca confiam, ante 53% deles), pessoas com renda de até dois salários mínimos (60%), moradores do Nordeste (66%), católicos (61%), autodeclarados pretos (63%) e quem reprova o governo (91%).

O perfil dos mais incrédulos coincide com o de eleitores de Lula e vai na contramão dos estratos que dão a Bolsonaro suas maiores taxas de intenção de voto e de apoio à forma como ele governa.

Entre simpatizantes do mandatário, é superior a fatia dos que acreditam sempre nele. Estão nesse grupo: empresários (38% creem cegamente), pessoas com renda familiar superior a dez salários (33%), evangélicos (25%) e, como seria esperado, quem considera a gestão federal boa ou ótima (60%).

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Na distribuição por faixa etária, está entre os jovens de 16 a 24 anos o maior índice dos que nunca confiam (58%). Já pessoas com 60 anos ou mais são as que exibem a maior crença absoluta (23%), embora nessa faixa a parcela dos que nunca confiam, de 54%, seja próxima da média geral.

Nas semanas que antecederam a pesquisa mais recente do Datafolha, o presidente voltou a levantar dúvidas, sem apresentar nenhuma prova, sobre as urnas eletrônicas e insinuou que o pleito pode ser conturbado, em ameaça velada de golpe para contestar o resultado caso perca.

Por causa da suspeita de espalhar notícias falsas sobre o sistema de votação, ele é alvo de investigações da Polícia Federal e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Bolsonaro também é investigado pela PF no caso da ilação de que vacinas contra a Covid-19 estariam relacionadas à transmissão do HIV, o que é desmentido pela comunidade científica e médica. A afirmação se somou a outros episódios de desinformação perpetrados por ele contra a imunização.

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O presidente também costuma entrar em contradição. Nesta quinta-feira (26), disse que mal conhece Daniel Silveira (PTB-RJ), deputado bolsonarista a quem ele concedeu um indulto após o parlamentar ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O caso foi amplamente explorado pelo presidente e seus apoiadores, que usaram o perdão para difundir a bandeira da liberdade de expressão. O mandatário chegou a fazer um evento oficial no Palácio do Planalto que teve sua conquista como pano de fundo. Ele próprio recebeu Silveira na ocasião.

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