Disputados como padrinhos eleitorais nos últimos 20 anos, o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), o ex-senador Demóstenes Torres e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares desapareceram da campanha à Prefeitura de Goiânia. O sumiço é efeito da Operação Monte Carlo, que prendeu Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Já o petista amarga quarentena forçada durante o julgamento do mensalão.
Mas nem só os caciques sumiram em Goiânia. O dinheiro também: doações minguadas, escassez de material de campanha e nem sinal de cabos eleitorais nas ruas. Para o Ministério Público, a explicação está nas recentes fiscalizações, que aplicaram mais de 600 multas em empresas que fizeram doações acima do valor permitido, e nos desdobramentos da Monte Carlo, que deixou a cidade “sob vigilância” da Polícia Federal e de procuradores e promotores.
Sem um nome forte para brigar com o PT e enfraquecido politicamente com os escândalos, Marconi Perillo praticamente abandonou as eleições.
O governador trocou os palanques da capital por uma rodada de eventos no interior. Nesta terça-feira (2) viajou para Quirinópolis e Goiatuba. Nesta quarta-feira visita mais duas cidades, todas distantes de Goiânia. A agenda deve mantê-lo afastado até o fim da semana.
O tucano e seu candidato, Jovair Arantes (PTB), avaliam a conveniência de Marconi participar do último ato da campanha, uma caminhada pelas ruas da capital no sábado. O deputado federal ocupa o segundo lugar nas pesquisas e ainda batalha para levar a disputa para o 2.º turno.
Mesmo líder absoluto nas pesquisas, o PT foi obrigado a esconder Delúbio Soares da campanha na reta final do julgamento. O ex-tesoureiro está acompanhando – longe dos holofotes – os desdobramentos das eleições, apesar de seu irmão Carlos Soares ser candidato a vereador. No Twitter, Delúbio posta link para artigos do irmão, comenta pesquisas e rebate opositores.
Por uma década cabo eleitoral de luxo, Demóstenes Torres virou persona non grata e nome proibido entre os candidatos. O procurador de Justiça se afastou da política e agora está mais preocupado em tentar manter o irmão, Benedito Torres, no cargo de procurador-geral de Justiça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo