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Política & Poder

Ciro Gomes admite que precisa de Lula

Arquivo Geral

09/03/2018 7h00

Atualizada 08/03/2018 23h10

Myke Sena

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Buscando a liderança da centro-esquerda, o PDT colocou a pré-candidatura de Ciro Gomes para a Presidência da Republica na rua. Fugindo de piadas e amenizando o discurso, para não implodir pela boca a candidatura como ocorreu em eleições passadas, o pré-candidato chancelou o presidente da Câmara Legislativa, o deputado distrital Joe Valle, como a aposta do partido para o Palácio do Buriti. O parlamentar terá papel de protagonista e carta-branca para montar coligações pelo Governo do Distrito Federal.

No plano nacional, o PDT acena para o PT. Caso a candidatura do ex-presidente Lula seja implodida pela Justiça, os votos dele têm grandes chances de migrar para o partido representado pela memória de Leonel Brizola. Ou seja, sem Lula no tabuleiro, Gomes tende a crescer. Da mesma forma como, no caso da direita, Jair Bolsonaro (PSL) freia a evolução de Geraldo Alckmim (PSDB). Pelas contas de Gomes, haverá cinco candidaturas competitivas na reta final de outubro.

“Enfrentar e superar a desigualdade é o norte do projeto nacional que eu vou apresentar para o debate”, afirma Gomes. Nos planos do pré-candidato estão propostas para a reforma fiscal, tributária, previdência, bem como o reforço da educação. Dentro da promessa de sepultamento da miséria, serão apresentados de projetos para financiamento de jovens empreendedores. O investimento na infraestrutura nacional também está na pauta.

“Vou apresentar um rico e detalhado projeto de reindustrialização do Brasil”, promete. Ciro também pretende criar empregos à curto prazo, pela construção civil. Na segurança publica, o também planeja apresentar uma proposta de reformulação. “Vou botar uma mão firme”, garante.

Gomes não crê que tenha “morrido pela boca” em eleições passadas, mas reconhece os tropeços. O pré-candidato alega que montou governos e pastas com participação efetiva de mulher, antes da ascensão de feminismo. “Eu que sou assim, feminista, fiz uma piada de extremo mau gosto com a mulher da minha vida”, lembra fazendo, referência ao comentário sobre Patrícia Pillar em eleição anterior.

Desta vez, promete tomar cuidado não fazendo mais “piadinhas” da deformação de cultura machista. Simbolicamente, o lançamento da pré-candidatura foi ontem, Dia Internacional da Mulher.

Liberdade para alianças

“Nós só temos uma exigência. Uma só. Que ele apresente ao povo do DF um belo projeto. O resto a tarefa dele é ganhar a eleição”, pondera Ciro Gomes sobre a pré-candidatura de Joe Valle. Neste sentido, o presidente da Câmara poderá formar eventuais alianças com a centro-direita, a exemplo de Jofran Frejat (PR) ou mesmo a frente evangélica. E ainda terá a palavra final, caso PDT e PSB fechem uma aliança nacional.

“Amanhã, no tempo devido, se o PSB traz exigências legitimas, razoáveis, discutíveis, como é da natureza da nossa arte, que é a política, antes de mais nada consultaremos o Joe. E em seguida vamos decidir o que vamos fazer. Mas ele é o nosso candidato para o Governo no DF”, afirma Gomes.

No quadro atual, a Executiva Regional do PDT tem pontes em construção com PCdoB, PPL e PPS. As tratativas caminham bem com PSD, Rede e PV. O partido também conversa “respeitosamente” com o PRB, membro da frente cristã.

Do ponto de vista da cúpula do partido, PSB é extremamente importante no tabuleiro nacional. Contudo no DF, a executiva local tem liberdade, até o momento, para definir posição independente dos socialistas.

No patamar proporcional, o PDT espera eleger 3 distritais, repetindo o desempenho de 2014. Para deputado federal, quer montar uma coligação para eleger dois nomes, que não precisam ser do partido.

Saiba mais

Joe Valle classifica a pré-candidatura ao Buriti como uma decisão partidária, necessária para o projeto nacional do PDT. Agora, buscará formar uma ampla coligação. O parlamentar lembrou que PDT tem acordos com o PR em outros estados. “Aqui quem for do bem, será muito bem vindo”, afirma Valle.

Projetando uma eleição em dois turnos, Valle diz que hoje falta gerenciamento no DF. Neste sentido, a valorização dos servidores públicos é uma prioridade. “Eles não são o problema, mas a solução para a capital da republica”, reforça. Dentro da lógica da importância do cuidado com as pessoas, Valle planeja reformular os serviços públicos com sustentabilidade, com foco na educação, segurança e saúde. Valle também promete revisar a micro reforma da previdência local, no Iprev, feita pela gestão Rollemberg.

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