JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta sexta-feira (3) que o órgão seguiu o mesmo padrão de transparência de outras operações ao divulgar fotos do dinheiro apreendido em residências do senador Jaques Wagner (PT-BA) na ação relacionada a suspeitas sobre o Banco Master.
O ex-líder do governo no Senado criticou, em entrevista à Folha, as fotos com as cédulas apreendidas pela PF.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, disse Wagner.
Em café da manhã com jornalistas, Andrei disse que a operação envolvendo um líder do governo Lula (PT) reafirmou “a autonomia e independência de uma polícia de Estado” e que o órgão segue “um padrão de comunicação e de transparência que tem sido feito em todas as operações”.
Ele disse que a Polícia Federal já adotou outras medidas para evitar espetacularização de operações, especialmente após a Lava Jato, como cancelar entrevistas coletivas sobre as ações e deixar de exibir
pessoas com algemas, mas que, por enqunato, deve continuar divulgando imagens das apreensões.
O diretor-geral afirmou que não há seletividade nessas divulgações, e se referiu, sem nominar, a reclamações do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, que reclamou também de imagens de R$ 460 mil apreendidos em sua residência em Brasília.
Em 18 de junho, a PF fez apreensões em endereços de Wagner para investigar se ele recebeu pagamentos ligados ao Master, Daniel Vorcaro, por meio da empresa da nora dele, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master. Lima também foi alvo novamente de buscas.
Wagner defendeu que o dinheiro, aproximadamente US$ 55 mil, tem origem legal. “Algumas vezes, eu indo viajar, comprei dólar no Banco do Brasil. Mas toda vez que você viaja pelo Senado tem diária, que pode ser paga, depositada na sua conta ou pedida em dólar. Sempre peço em dólar, que é uma forma também de eu economizar e guardar”, disse o senador.
Chefe da PF rebate crítica de Jaques Wagner e diz que divulgar dinheiro apreendido é padrão
Andrei Rodrigues diz que ação envolvendo ex-líder do governo segue protocolo de transparência
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil