Superada a crise com partidos que ameaçavam se afastar do governo em represália a perdas no loteamento de cargos, a presidente Dilma Rousseff tem de adotar, no dizer dos próprios aliados, uma nova postura para assegurar a presença de todos eles no palanque da reeleição, no ano que vem.
A principal cobrança de integrantes da base governista é a adoção, o quanto antes, de medidas capazes de acabar com as incertezas na economia antes que o aumento da inflação passe a comprometer o otimismo dos eleitores. Resumindo: os aliados políticos necessitam de “boas novas” para anunciar à população em troca do voto na presidente.
Questão de influência
Alegam que o procedimento se insere na chamada coalizão de partidos, mesmo sabendo que Dilma ouve apenas os poucos auxiliares em quem confia. Daí a deturpação de até os ministros terem de recorrer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para emplacar uma proposta.
O loteamento de ministério ocorre recheado de restrições. Vale para a presidente da República, impedida de contar antecipadamente com o apoio dos partidos favorecidos pelas pastas – como é o caso do PSD para quem foi criado o 39º cargo de ministro, na Secretaria da Micro e Pequena Empresa.
É a economia
“As nomeações para os ministérios significam muito pouco numa eleição”, garante o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ele acredita que o apoio do partido a Dilma crescerá se houver investimentos na infraestrura capazes de baratear o escoamento e o preço dos alimentos.
O exemplo citado por Miro pode igualmente ser aplicado na situação do presidente de seu partido, Carlos Lupi, que mesmo satisfeito com a nomeação do novo ministro do Trabalho, Manoel Dias, alimenta as especulações sobre sua proximidade com o provável concorrente de Dilma, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O que se indaga é se Lupi agiria da mesma forma se a economia estivesse crescendo.
O que vale é o aqui e agora
Com sete senadores e 38 deputados, o PR é hoje o exemplo da atuação dos aliados ao governo. O partido tem o Ministério dos Transportes, um dos mais cobiçados, mas seu presidente, senador Alfredo Nascimento (AM), é cauteloso ao falar da posição que a legenda adotará nas eleições do ano que vem.
Quanto a seu apoio, ele diz não ter dúvidas de que votará pela reeleição de Dilma Rousseff, desde que o Governo Federal atenda ao seu estado. Ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento garante que a presidente nunca falou sobre a sua reeleição.
Tema foi a governabilidade
“Ela tratou, sim, da governabilidade, da reaproximação do partido com o governo. Acho até que ela não tratou desse assunto porque entende que o nosso afastamento, dificultaria muito o apoio em 2014 afirma”, informa.
O senador acha prematuro falar este ano num eventual apoio a Dilma. “Assumi o partido num momento de transição e qualquer decisão que a gente tomar, tem de ser submetido ao partido”, justifica.
Sobre a possibilidade de o PR apoiar outro candidato, lembra que “em política nada é impossível, não tem essa coisa de não poder”. Mas reforça a tese de que é cedo para falar das eleições, mesmo reconhecendo que a disputa já está em campo.
“A presidente não pediu, em nenhum momento, apoio à sua reeleição e nem nos disse que é candidata à reeleição. Ela tratou da governabilidade, foi sempre no sentido de ter o partido na base para apoiar o governo”, reitera.