Depois de dois anos e sete meses de uso, o prédio da Câmara Legislativa – que custou R$ 120 milhões – acumula problemas. Muitos deles, existentes desde a inauguração, em 2 de agosto de 2010, quando os distritais se mudaram para a nova sede. Nesta semana, foi a vez do teto da sala de comissões quase despencar.
O forro estava solto e quem estava no local precisou ir para a sala ao lado. “Precisamos trocar de sala porque tinha o perigo iminente do forro desabar. Foi um constrangimento”, disse o vice-presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof), Michel (PEN).
As falhas nos forros são antigas. As placas de gesso, em alguns casos, ficam soltas das estruturas de metal. A infiltração, que tem aumentado com o tempo, tem prejudicado e, com as fortes chuvas, os vazamentos têm atingido salas e gabinetes, por falhas nas janelas.
Nos corredores dos andares, o piso solto também chama atenção. Em alguns andares já foi preciso, inclusive, interditar algumas passagens. Quando chove, a rede elétrica não resiste e apenas parte das luzes funciona nos andares.
Segundo o secretário-geral da Câmara, Joan Goes Martins, o forro da sala de comissões estava solto por conta da manutenção no ar-condicionado. Técnicos retiraram as placas, mas não colocaram em risco quem estava no local. “Os brigadistas estavam lá, o presidente suspendeu a comissão, mas poderia apenas ter sido ajustado e ficado lá, sem problema. Não caiu nada na cabeça de ninguém”, explicou.
Parte dos problemas foram acumulados por falta de manutenção – projeto neste sentido tramita na Casa desde 2012. “Pegamos um prédio deteriorado, o processo de manutenção tem mais de três mil itens, é demorado, mas a previsão é de que em 30 dias esteja pronto”, afirmou.
Pagamento Pendente
Outro entrave é com a documentação da Câmara, que até hoje, não foi entregue à construtora pela administração. A gestão passada não resolveu o impasse, alegando que o prédio não estava em conformidade com o projeto básico. Na última semana, uma equipe técnica da Câmara entregou à construtora uma lista de reparos, mas a empresa cobrou R$ 2,5 milhões que não teriam sido pagos. “A Casa entende que muitos itens não foram cumpridos e que não deve pagar”, disse o segundo secretário, deputado Israel Batista (PEN).
Burocracia
O imbróglio com a construtora também envolve o processo de licitação, feito com a Novacap. Para trocar uma lâmpada, por exemplo, será preciso fazer licitações à parte e, segundo Israel, pode demorar cerca de nove meses. “Precisamos desburocratizar, implementar pregão eletrônico, para tentar dar mais celeridade, porque pagar mais de R$ 100 milhões e já ter que pensar em reforma é preocupante”, observou o secretário.
Saiba Mais
A obra da nova sede da Câmara Legislativa começou em 2001, na gestão do então deputado Gim Argello (PTB), hoje senador.
Por falta de verba, a obra ficou parada durante três anos – de 2005 a 2008.
Em 2008, no comando do deputado Alírio Neto, os deputados aprovaram emenda e destinaram R$ 24 milhões para concluir. O Governo do DF também investiu recurso e a obra começou novamente em 2009.
Quando começou, em 2001, foi orçada em R$ 42 milhões. Ao final, custou R$ 120 milhões.