A cinco dias de vencer o prazo estipulado para apreciação do projeto que trata de medidas relativas à Copa das Confederações da Fifa deste ano e à Copa do Mundo de 2014, deputados governistas se esforçam para conseguir manter 16 deputados no Plenário – quantidade necessária para aprovação.
Hoje será a terceira tentativa esta semana e, caso não consigam juntar a base aliada e ultrapassem o prazo, o DF correrá o risco de não cumprir o calendário acordado com a Fifa.
Instabilidade na base
Na tarde de ontem, chegou-se a ter quórum, mas as três deputadas de oposição deixaram o Plenário logo após terem as emendas apresentadas ao projeto rejeitadas. Dos 21 distritais que se apresentam como governistas, apenas 13 estavam no Plenário.
Uma das emendas excluídas, de autoria da oposicionista Celina Leão), pretendia reservar 20% dos ingressos que serão vendidos nos eventos à população do DF. “O governo, na época do Arruda, assinou com a Fifa termo de compromisso que deixa explícito que ela terá a prerrogativa de encaminhar como bem entender todas a questões, inclusive as referentes a ingresso e ao nome do estádio. Essa discussão não existe”, afirmou a líder do Governo, Arlete Sampaio (PT), referindo-se às emendas apresentadas pelas deputadas de oposição.
Eliana Pedrosa (PSD) também apresentou uma emenda que garantiria a permanência do nome Estádio Nacional de Brasília, mesmo no período dos jogos. “A rejeição mostra claramente a intenção do governo de ter um nome comercial vinculado ao estádio”, comentou a distrital.
Presidente cobra responsabilidade
A articulação para conseguir apoio da própria base deve ser feita, segundo o presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT), até às 15h, quando será aberta a sessão ordinária. Wasny excluiu a possibilidade de se fazer uma reunião entre o colégio de líderes. “Vamos tentar costurar até hoje, sem reunião, porque o que tinha para ser discutido sobre este projeto já foi. É só terem responsabilidade para vir votar”, alfinetou o presidente.
Polêmicas
O projeto tem mais de 20 artigos e muitas matérias polêmicas, como autorização para a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) contratar diretamente trabalhadores temporários e serviços de aluguel de ônibus e de micro-ônibus, durante todo o período dos eventos.
“O que estão fazendo aqui é jogo político com o governo. Na emenda da reserva de ingressos foi uma tentativa de transferir a responsabilidade de vetar ao governador, ma não deixamos. Esta é mais uma hora de saber quem é base e quem é oposição”, criticou Chico Vigilante (PT), ao cobrar a presença dos colegas.