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Política & Poder

Buriti aciona o seu trator

Arquivo Geral

02/04/2013 8h34

O governo planeja votar ainda hoje na Câmara Legislativa o Programa de Recuperação de Créditos Tributários do Distrito Federal, também conhecido como Recupera-DF. A proposta segue a linha de programas como o Refaz, cujo objetivo é fazer caixa mediante o oferecimento de  renúncia a juros e multas em troca do pagamento de dívidas aos cofres públicos brasilienses, em especial de impostos.  O secretário de Fazenda, Adonias Santiago, acredita que  é um dos principais projetos do Executivo no semestre.  

 

 O projeto começou a tramitar na Câmara na semana passada. Os primeiros passos não foram fáceis na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os parlamentares contestaram a renúncia por não  constar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Desta forma, o Recupera-DF desrespeita os princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Sem segurança jurídica, o programa poderia ser alvo de ações diretas de inconstitucionalidade do Ministério Público ou outras medidas de demais órgãos de fiscalização,  como o Tribunal de Contas. O governo recuou e o programa saiu da pauta. A questão chegou ao conhecimento do governador Agnelo Queiroz. Ao tomar pé da situação, o governador determinou a adequação do texto às normas da LRF. 

 

Sustentação legal

A renúncia está prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA). Por isso, na semana passada o GDF enviou para a Câmara um projeto para inserir o cálculo na LDO e com isso garantir sustentação legal para o Recupera-DF. A mudança está na Ceof e o presidente da comissão, deputado Rôney Nemer (PMDB), promete que  será o primeiro item da pauta. Na agenda governista, a previsão é aprovar os projetos nas comissões e votá-lo ainda hoje.

 

Só a receber, R$ 11 bilhões 

Os cofres públicos brasilienses têm R$ 11 bilhões a receber. Segundo a Secretaria de Fazenda, a renúncia fiscal do Recupera-DF custará, aproximadamente, R$ 131 milhões. A renúncia se divide ao longo de três anos. São R$ 93 milhões neste ano. Em 2014, R$ 21 milhões. Por fim, o governo se dispõe a abrir mão de R$ 15 milhões em 2015.

 

“Este é um programa de extrema importância para o DF e para os contribuintes. Não teremos outra iniciativa semelhante a curto e médio prazo. Todos terão condição de regularizar suas pendências. Mas, a partir de então, a ação de cobrança será efetiva, inclusive judicialmente”, afirmou ontem  o secretário de Fazenda, Adonias Santiago. Além da preocupação com os ajustes técnicos, o governo também conseguiu aprovar a renuncia do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Conselho Nacional Fazendário. O programa beneficia também devedores o IPTU, IPVA, ITBI e ISS.

 

A distrital Eliana Pedrosa (PSD)  questionou a redação do Recupera-DF na semana passada. “Não adianta correr para dar um benefício com insegurança jurídica”, disse  ontem. 

 

Questão pontual

Em gestões passadas, o GDF concedeu benefícios para o setor atacadista. Mas o texto apresentava graves falhas e os benefícios foram anulados no Supremo Tribunal Federal (STF). Só em 2012, o GDF conseguiu emplacar a proposta dentro dos limites legais. Após as adequações formais, o presidente da CCJ, deputado Chico Leite (PT), considera que o projeto é extremamente relevante pois pode gerar renda e emprego no Distrito Federal.

 

Uma agenda para o sistema de ensino 

 Ao lado do Recupera-DF, o Palácio do Buriti espera votar ainda hoje a reestruturação da carreira dos servidores da assistência à Educação. Ela atinge 15 mil servidores, entre vigias, porteiros, merendeiros, secretários escolares e demais trabalhadores do apoio administrativo da rede pública de ensino.    
 
 
Conforme explicações da Secretária de Administração Pública, serão aplicadas novas tabelas de remuneração considerando a titulação dos servidores (graduação, especialização, mestrados e doutorados). A proposta também envolve a recomposição da inflação nos próximos três anos.
Em números percentuais, a recomposição salarial prevê reajustes de aproximadamente 6%, em média, para os servidores nos meses de setembro de 2013, 2014 e 2015. A medida não inclui os professores. A categoria ainda está em negociações. E hoje está prevista uma reunião com o governador na residência oficial de Águas Claras.

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