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Bolsonaro veta Baldy por relação com Doria, e Guedes busca outro assessor para articulação política

Baldy iria ocupar a vaga deixada por Esteves Colnago na chefia da Assessoria de Relações Institucionais do Ministério da Economia

Brasília – O relator do projeto de lei que muda as regras de regularização de ativos não declarados no exterior (Lei de Repatriação), deputado Alexandre Baldy, fala à imprensa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está procurando um nome para comandar a articulação política da sua pasta. Guedes tinha escolhido o ex-ministro das Cidades no governo Michel Temer, Alexandre Baldy, mas o presidente Jair Bolsonaro não aceitou a indicação por causa das negociações políticas que envolveram a sua filiação ao PL.

Baldy, filiado ao Progressista, quer se candidatar ao Senado por Goiás. O presidente também não queria um ex-secretário do governador de São Paulo, João Doria, seu adversário político, no governo.

Baldy iria ocupar a vaga deixada por Esteves Colnago na chefia da Assessoria de Relações Institucionais do Ministério da Economia. Colnago deixou o cargo para ser o secretário Especial de Orçamento e Gestão no meio da crise que levou à saída de Bruno Funchal do comando da secretaria.

Nesta semana, Guedes vai anunciar uma dança das cadeiras no ministério. Braço direito e ex-sócia do ministro, Daniella Marques substituirá Carlos Da Costa, que vai ser adido comercial do Ministério da Economia em Washington.

Mudança também no fisco

O ministro também anunciará a troca de comando na Receita Federal. Sai José Tostes, que será adido tributária na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, e entra o auditor fiscal da Receita, Julio Cesar Vieira Gomes, que atua na delegacia de julgamento (DRJ) do Rio de Janeiro, como revelou o Estadão na sexta-feira.

A mudança na cúpula da Receita acontece depois de os auditores fiscais aprovarem uma moção de desconfiança direta ao secretário, na semana passada, uma ação sem precedentes. Eles alegam que Tostes tem sido omisso em temas relevantes para a categoria e o órgão.

A categoria se ressente, sobretudo, do esvaziamento da área de fiscalização de tributos, da alfândega e das fronteiras e cobra a realização de concursos para fortalecer o trabalho de combate à sonegação e outros ilícitos.

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À frente da Receita, Tostes sempre esteve sob pressão da família do presidente Jair Bolsonaro na esteira das investigações da denúncia da prática de “rachadinha” na Assembleia do Rio de Janeiro contra o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro.

O presidente se queixou de que dados do seu filho na Receita teriam sido acessados para municiar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Tostes chegou a se reunir no apartamento de Flávio Bolsonaro a pedido do senador.

Entre os auditores da área de fiscalização, há a desconfiança de que o secretário acabou blindando de alguma forma o filho do Bolsonaro, que nunca escondeu a sua intenção de aumentar a interferência no trabalho de fiscalização da Receita e indicações de postos-chave no órgão desde o início do governo quando dados do Coaf apontaram movimentações atípicas na conta do filho do presidente.

No início do ano, a atuação do secretário na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do auxílio emergencial desagradou a Guedes e colocou os dois em rota de colisão. Tostes trabalhou nos bastidores para barrar na Câmara a desvinculação de recursos de um fundo do Fisco relacionado ao financiamento de bônus de eficiência pago aos servidores da Receita.

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Na véspera da votação na Câmara, o secretário alertou ao Palácio do Planalto e ao próprio Guedes que os auditores preparavam uma rebelião e ameaçavam parar a Receita e que não conseguiria segurar o movimento, caso a vinculação não fosse mantida na votação da Câmara. Na época, Guedes disse a assessores que o “amor” com Tostes acabou porque ele se juntara ao deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) para desidratar a PEC.

Nas negociações do projeto de reforma do Imposto de Renda novos atritos. O projeto preparado pela equipe do secretário foi criticado pelo setor empresarial e Guedes culpou Tostes por ter apresentado um projeto com aumento da carga tributária das empresas. Na Receita, porém, a avaliação foi o contrário: de que o ministro cedeu tanto nas negociações que a Câmara aprovou um projeto com “rombo” na arrecadação e riscos para as contas públicas.

Think tank

A nova secretaria de Estudos Econômicos será comandada pelo atual secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, e abarcará o IBGE, IPEA, além da atual secretária de Assuntos Econômicos e a área de estudos microeconômicos da Secretaria Especial de Produtividade e Competividade (Sepec).

A ideia do ministro, revelada pelo Estadão, é criar um grande “think tank”(centro de produção de estudos e dados) do governo. Guedes é crítico contumaz do IBGE.

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Estadão Conteúdo








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