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Bolsonaro se filia ao PL, volta ao centrão e faz ataques à esquerda

No livro, Moro ainda narra em detalhes a fritura pública que sofreu de Bolsonaro após acusá-lo de tentativa de interferência na direção da PF

Por FolhaPress 30/11/2021 12h40

Marianna Holanda, Julia Chaib e Ranier Bragon
Brasília, DF

O presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL na manhã desta terça-feira (30), em um evento com ministros, governadores, dirigentes partidários e parlamentares e muita aglomeração. Seu discurso foi de gestos a parlamentares a ataques à esquerda.

“Nós tiramos o Brasil da esquerda, nós todos tiramos. Olha para onde estávamos indo”, disse o mandatário para a plateia. Ao seu lado, estavam dirigentes do centrão, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que integrou governos do PT no passado.

Em meio a uma possível quarta onda da Covid-19, com a variante ômicron, o evento contou com mais de 200 pessoas, num local sem ventilação. Apenas autoridades puderam entrar no pequeno auditório reservado para a cerimônia com o presente. Convidados e imprensa ficaram numa antessala.

O evento foi bastante diferente do lançamento do Aliança para o Brasil, partido que Bolsonaro tentou criar, mas não conseguiu. À época, a plateia estava repleta de apoiadores e discursos ideológicos. O tom da assinatura da ficha do presidente nesta terça-feira foi assim como a plateia: político.

Ainda que Bolsonaro quisesse uma filiação mais discreta, o quórum de ministros foi alto. Os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), entre outros, devem se filiar.

O senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho do presidente, se filiará também ao PL, e comentou planos do partido para palanques regionais. Segundo ele, o cenário está encaminhado para que Tarcísio de Freitas (Comunicações) se filie e saia candidato ao governo de São Paulo.

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“Ele está numa função chave do projeto de resgatar o país junto com o Bolsonaro”, disse.
Flávio confirmou que Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, também deve sair candidato ao Senado pelo estado.

Já em Goiás, Flávio disse ser necessário ter mais conversas antes que se bata o martelo para lançar o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), ao governo, como quer uma ala de apoiadores de Bolsonaro.

Ao assinar a ficha do PL, o chefe do Executivo encerra novela partidária de idas e vindas, “casamentos”, como costuma dizer, entre o partido de Valdemar e o PP de Ciro Nogueira (Casa Civil) e Arthur Lira, presidente da Câmara.

Bolsonaro chegou a dizer que estava 99% fechado com o PL, depois adiou a filiação, que ocorreria no último dia 22.
Agora, o mandatário decidiu migrar para o partido de Valdemar por acreditar que, sem isso, o PL teria mais chances de desembarcar no ano que vem e bandear para a campanha petista. Bolsonaro está há mais de dois anos sem partido, desde que deixou o PSL, pelo qual foi eleito.

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De acordo com auxiliares palacianos, a estratégia do presidente é reeditar, ao menos em parte, o mapa de votação da última disputa, garantindo vitória no eixo Sul-Sudeste e no Centro-Oeste.

A leitura no entorno de Bolsonaro é a de que não é possível ganhar no Nordeste contra Lula, mas que o Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família, e outros programas sociais, como o vale-gás, podem ajudar a diminuir a rejeição. De acordo com um aliado, a ideia é diminuir o placar de 7 a 1 para 2 a 1.

Para acertar a negociação com o PL, Bolsonaro demandou a prerrogativa de escolher candidatos em estados-chave e de vetar alianças com partidos de esquerda.

As principais divergências se deram a respeito de São Paulo, onde o partido estava apalavrado com o PSDB para apoiar Rodrigo Garcia, vice-governador e pré-candidato ao governo em 2022.

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Auxiliares do presidente chegaram a fazer um movimento para que Garcia pudesse ser candidato de Bolsonaro no estado, mas isso só seria possível se João Doria não tivesse ganhado as prévias do partido. De toda forma, a negociação não foi adiante.

A principal aposta do presidente para São Paulo é uma chapa com Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) para governador e o ex-ministro Ricardo Salles para o Senado.

O acordo ainda não está selado, porque depende de uma decisão final do ministro, mas, segundo interlocutores, ele já teria aceitado que terá de cumprir essa missão, jargão bolsonarista, para o presidente: garantir palanque nos 645 municípios paulistas.

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